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AAMTD exige um plano nacional para o turismo fluvial no Douro até 2030

Pessoa em colete refletor junto a mapa e tablet com gráfico, visualizando rio rodeado de vinhas e casas ao pôr do sol.

Números do turismo fluvial no Douro

No Douro, viajaram em média 3805 pessoas por dia, com 86 escalas e 47 operações de passagem de navios nas cinco eclusas desta via navegável. Perante um crescimento do turismo que se confirma há oito anos consecutivos, a Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD) volta a defender que a região precisa de orientação nacional para o turismo fluvial.

AAMTD quer Plano Estratégico Nacional para o Turismo Fluvial no Douro (2030)

"A AAMTD defende a criação de um Plano Estratégico Nacional para o Turismo Fluvial no Douro, com horizonte 2030, envolvendo o Governo, a APDL [Administração dos Portos do Douro e Leixões], as autarquias ribeirinhas e os operadores privados. A associação alerta que um setor que vale 400 milhões de euros por ano e emprega mais de oito mil pessoas de forma direta não pode continuar a crescer sem um enquadramento estratégico que assegure a sua sustentabilidade, competitividade e capacidade de planeamento a longo prazo", assinala aquela entidade, em comunicado emitido nesta quinta-feira

Com base em números da APDL, responsável pela via navegável, a associação sublinha que a dimensão atingida pelo setor já não se compadece com decisões avulsas.

"Com 1.388.646 passageiros registados em 2025, o que representa um crescimento contínuo pelo oitavo ano consecutivo e um impacto económico estimado entre 350 e 450 milhões de euros, a AAMTD defende que o Douro já não pode crescer sem estratégia: precisa de um plano nacional", reitera a associação socorrendo-se dos dados da APDL, responsável pela via navegável.

Operadores, frota e emprego no Vale do Douro

A AAMTD enquadra o peso da atividade com dados sobre a operação no rio: existem 113 operadores e 252 embarcações. No ano passado, contabilizaram-se 16.974 eclusagens e mais de 31.500 escalas no rio Douro.

A associação recorda ainda que o turismo fluvial "sustenta diretamente entre 6000 e 8000 postos de trabalho" e traz todos os anos "centenas de milhares de turistas oriundos dos Estados Unidos, do Reino Unido, do Canadá e da Austrália, ou seja, mercados de alto valor e longa distância, com elevado impacto nas economias locais de todo o Vale do Douro".

Eclusas no limite e investimento urgente nas infraestruturas

Sem um plano nacional que estabeleça uma linha de rumo inequívoca, a AAMTD "alerta para o risco de estrangulamento das infraestruturas críticas da via navegável do Douro". A associação aponta que, perante o total de eclusagens de 2025 (mais 9% do que em 2024), se registaram episódios de "avaria documentadas nas eclusas de Crestuma-Lever, Bagaúste e Carrapatelo".

É neste quadro que, segundo a AAMTD, se impõe uma resposta pública célere.

Neste contexto, "a associação exige ao Estado português um plano de investimento urgente nas infraestruturas fluviais", defendendo que "a capacidade atual das eclusas representa já um limite estrutural ao crescimento do setor". "Sem intervenção imediata corre-se o risco de comprometer a experiência dos turistas e a competitividade dos operadores nacionais face à concorrência europeia", conclui a AAMTD,. que representa os principais operadores da via navegável do Douro, como a Douro Azul, a CroisiEurope, a Tomaz do Douro, a Rota Ouro do Douro e a Viking Cruises, num total de 33 associados.

APDL estuda capacidade e quer preservar a qualidade

No mês passado, em entrevista ao JN e à TSF, o presidente da APDL, João Neves, disse que estava a decorrer um estudo para apurar qual a capacidade do Douro no que toca ao turismo fluvial.

"Estamos a ficar no limite da nossa capacidade. O Douro já está a ficar pequeno para tanta procura e o que nós queremos é manter a qualidade. Não queremos ter um número exagerado de navios porque ninguém está disponível para suportar o custo de uma viagem que tem um certo luxo no Douro para depois ficar uma hora, duas horas à espera de uma eclusa. Isso não faz sentido. Nós queremos manter a qualidade e, portanto, vamos trabalhar no sentido de conhecer a capacidade máxima do Douro", disse o responsável.

Crescimento até 2030, sustentabilidade e competição europeia

A antecipar "um crescimento contínuo do setor até 2030, com o aumento do número de operadores e da frota", a AAMTD sustenta que essa evolução deve ser conduzida "orientado por critérios de sustentabilidade ambiental, planeamento territorial e qualidade da experiência turística".

No mesmo comunicado, a associação relaciona a origem dos visitantes com a relevância estratégica do destino.

"Os dados de origem dos turistas reforçam a dimensão estratégica do setor: os principais mercados emissores são os Estados Unidos, o Reino Unido, o Canadá e a Austrália, todos mercados de longa distância, com elevada capacidade de gasto e forte propensão para o turismo de experiência. A AAMTD defende que Portugal deve usar esta posição competitiva única para afirmar o Douro como o destino de turismo fluvial de referência da Europa do Sul, em competição direta com o Reno e o Danúbio", acrescenta o comunicado.

"O Douro não é apenas um rio. É uma via navegável de classe mundial que gera 400 milhões de euros por ano e emprega diretamente oito mil pessoas. A AAMTD existe para garantir que este ativo seja gerido com a inteligência, a ambição e a seriedade que ele merece. E exigimos do Estado português que esteja à altura desta responsabilidade», afirma Mário Ferreira, presidente da associação, citada no documento..

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