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UE envia representantes à China para negociar alternativas às tarifas sobre elétricos

Dois empresários asiáticos em reunião com miniaturas de carros e bandeiras da União Europeia e China numa mesa.

A União Europeia (UE) prepara o envio de representantes à China para tentar encontrar alternativas à aplicação das novas tarifas sobre os veículos elétricos produzidos no país asiático, que passaram a vigorar a 30 de outubro, segundo fontes citadas pela Bloomberg.

A realização desta reunião é vista como um sinal de aproximação entre Pequim e Bruxelas, embora a substituição das tarifas por outra solução continue a ser um dossiê complexo e difícil de fechar. “Os planos ainda estão a ser finalizados e coordenados com Pequim”, referiram as mesmas fontes.

Contexto das tarifas aos veículos elétricos

Desde 4 de julho, data em que a UE comunicou a introdução de tarifas provisórias, os contactos e as tentativas de negociação entre as duas partes intensificaram-se. Ainda assim, ao fim de oito rondas de conversações, não foram registados progressos relevantes.

Obstáculos

Tanto a UE como a China têm procurado chegar a entendimento sobre um compromisso de preços que permita evitar as tarifas, o que exigiria a criação de um mecanismo capaz de controlar preços e volumes de exportação. Até ao momento, sem resultados, com ambos os lados a reconhecerem diferenças importantes quanto à forma de concretizar esse objetivo.

As propostas apresentadas por Pequim não têm conseguido cumprir os requisitos rigorosos exigidos por Bruxelas, alinhados com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem produzir um efeito comparável ao das tarifas atualmente em vigor.

A UE pretende ainda assegurar uma fiscalização permanente do cumprimento e da aplicabilidade das condições acordadas. Na prática, isso implicaria a existência de instrumentos que, perante violações ou incumprimentos, permitam impor sanções ou exigir ajustamentos.

Outro ponto que tem travado as conversações prende-se com o formato do acordo. A China defende uma solução coletiva, enquanto a UE admite avançar com entendimentos individuais. Ou seja, Pequim procura um compromisso transversal para todos os seus construtores, ao passo que Bruxelas aceita acordos diferenciados com cada fabricante, desde que respeitem as regras da OMC.

Há progressos?

Apesar das dificuldades, nos últimos dias terão surgido alguns avanços, com foco particular na simplificação das condições, sobretudo no caso de novos veículos elétricos que ainda não começaram a ser exportados.

A intenção por trás desta simplificação passa por equilibrar interesses e, ao mesmo tempo, criar um sistema de monitorização robusto, garantindo que o eventual acordo é exequível, duradouro e compatível com as metas comerciais.

É também referida a necessidade de evitar uma “compensação cruzada”, isto é, o risco de os preços mínimos aplicados aos elétricos importados serem compensados através da venda de outros produtos - como veículos híbridos -, reduzindo o impacto das tarifas estabelecidas.

Próximos passos e efeito no mercado

Por agora, a procura de alternativas vai prosseguir, apesar de as tarifas adicionais sobre a importação de elétricos produzidos na China terem entrado oficialmente em vigor a 30 de outubro. Caso UE e China não cheguem a uma solução diferente, estas tarifas manter-se-ão durante os próximos cinco anos.

Ainda assim, o efeito no mercado poderá demorar alguns meses a tornar-se evidente. Em antecipação à entrada em vigor das tarifas, verificou-se um aumento significativo das exportações de elétricos produzidos na China com destino à UE, o que significa que há muitos veículos já armazenados e por escoar.

Fonte: Bloomberg

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