A fim de prolongar a vida útil dos seus comboios, a SNCF vai recuperar cerca de uma centena de composições.
Enquanto o TGV M continua por chegar, a SNCF não baixa os braços e quer assumir o controlo da situação. O grupo ferroviário encontrou uma alternativa para contornar o atraso nas entregas do “TGV do futuro”. No fim de contas, é mesmo nos “velhos tachos” que se fazem as melhores sopas.
Desta forma, a SNCF vai renovar aproximadamente um terço dos seus TGV para dar resposta à procura e evitar que os clientes migrem para a concorrência, como a Trenitalia. O grupo ferroviário será, assim, o “primeiro operador que fará circular TGV até aos 50 anos com total segurança”.
TGV da SNCF com vida útil prolongada
Com todo o parque de TGV a ser colocado ao serviço nos períodos de maior afluência - como acontece nas férias de verão -, a SNCF tinha de encontrar uma solução enquanto espera pela chegada do tão aguardado TGV M. Em 2024, havia 429 composições de TGV em serviço; em 2012, eram 482. Há já algum tempo que a SNCF vem a desenvolver a ambiciosa “Operação de obsolescência desprogramada”, também conhecida como TGV O2D.
Em termos simples, a SNCF pretende estender a vida útil dos TGV no fim do seu ciclo em mais 2 a 15 anos, depois de 35 a 40 anos de serviço. As composições que iriam para abate são, por isso, atualizadas e colocadas novamente a um nível que lhes permita continuar a circular com toda a segurança.
Operação de obsolescência desprogramada (TGV O2D)
Neste momento, esta abordagem é essencial para limitar o impacto do atraso do TGV M. Com a Operação de obsolescência desprogramada, a SNCF deverá aumentar em 15% a capacidade do seu parque de TGV até 2033.
Após 31 anos em circulação, a primeira composição renovada no âmbito do programa TGV O2D voltou à linha nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026. Este TGV passou sete semanas no centro técnico da SCNCF em Landry, no departamento de Seine-Saint-Denis, para ficar à altura das exigências. Foram criados quatro centros técnicos dedicados para garantir a renovação de 104 composições, de um total de 363 atualmente em circulação.
A Operação de obsolescência desprogramada da SNCF é um “aposta louca”. A empresa ferroviária vai investir 600 milhões de euros - o que equivale a 6 milhões por composição - com o objetivo de ser o primeiro operador a colocar TGV a circular até aos 50 anos em total segurança.
Das cerca de cem composições cuja vida será prolongada nos próximos meses, três quartos correspondem a composições de um só piso, com extensão de dois a quatro anos. Já as restantes, de dois pisos, vão beneficiar de uma intervenção mais aprofundada, permitindo-lhes circular mais dez a quinze anos. Ainda este ano, 26 composições renovadas sairão dos diferentes centros técnicos.
Naturalmente, esta operação foca-se sobretudo no que acontece “debaixo do capô” para garantir uma circulação segura, mas também está previsto trabalho no interior das composições, de forma a melhorar o conforto dos passageiros.
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