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OMI: 1500 navios retidos no golfo Pérsico devido ao bloqueio do Irão no estreito de Ormuz

Marinheiro a observar com binóculos várias embarcações num porto visto do interior da ponte de comando.

OMI aponta 1500 navios e 20.000 tripulantes retidos no golfo Pérsico

Cerca de 1500 navios, juntamente com as respetivas tripulações, continuam impedidos de seguir viagem no golfo Pérsico, na sequência do bloqueio determinado pelo Irão no estreito de Ormuz, segundo indicou esta quinta-feira um responsável da Organização Marítima Internacional (OMI).

"Neste momento, temos cerca de 20.000 tripulantes e cerca de 1500 navios retidos", afirmou Arsenio Dominguez, secretário-geral da agência das Nações Unidas responsável pela segurança marítima, durante a sessão de abertura da Convenção Marítima das Américas, realizada na Cidade do Panamá.

No mesmo contexto, Dominguez sublinhou que se trata de "pessoas inocentes que desempenham o seu trabalho diariamente em benefício dos restantes países" e "que se veem apanhadas em situações geopolíticas que lhes são alheias". As declarações foram proferidas no âmbito do encontro, que juntou dirigentes do setor e organismos internacionais ligados à indústria marítima.

Posição de Teerão e disponibilidade de apoio no estreito de Ormuz

As palavras do secretário-geral da OMI surgiram um dia depois de a Organização Marítima e Portuária do Irão ter assegurado "total disponibilidade" para prestar apoio a navios na área, incluindo fornecimento de mantimentos, combustível e assistência médica, além de artigos autorizados necessários para reparações, de acordo com um comunicado citado pela agência estatal iraniana IRNA.

As autoridades iranianas referiram ainda que os portos estavam "totalmente preparados" para assegurar serviços marítimos e cuidados médicos, bem como apoio técnico, a navios comerciais no estreito de Ormuz e nas águas adjacentes.

A entidade salientou que este anúncio traduz o apoio de Teerão à "passagem segura e sustentável dos navios mercantes por um dos pontos-chave" do comércio marítimo mundial.

Guerra no Médio Oriente, Trump e bloqueios paralelos

Desde o início da guerra no Médio Oriente, desencadeada por uma ofensiva israelo-americana a 28 de fevereiro, Teerão passou a controlar o estreito de Ormuz, considerado estratégico para o comércio global de hidrocarbonetos.

A mensagem das autoridades iranianas foi divulgada depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter optado por suspender a iniciativa "Projeto Liberdade", criada com o objetivo de facilitar a libertação de navios retidos no estreito de Ormuz, apontando avanços nas conversações entre os dois países.

Trump destacou que ambos os lados mantiveram "conversas muito positivas nas últimas 24 horas", admitindo a possibilidade de um acordo iminente que permita encerrar o conflito.

Apesar disso, Washington mantém um bloqueio aos portos iranianos, decretado a 13 de abril, cinco dias após a entrada em vigor do cessar-fogo entre os Estados Unidos e a República Islâmica.

Efeitos no petróleo e resposta internacional no golfo Pérsico

A interrupção da navegação nesta zona tem produzido efeitos à escala internacional, sobretudo pela volatilidade introduzida nos preços do petróleo, uma vez que um quinto da produção de hidrocarbonetos atravessa o estreito de Ormuz.

Entretanto, uma coligação com mais de 40 países está a analisar a possibilidade de realizar uma operação de segurança no estreito. Nesse âmbito, a França enviou na quarta-feira para o golfo Pérsico o porta-aviões "Charles de Gaulle" e a respetiva escolta.

O bloqueio desta passagem estratégica foi uma das respostas do Irão à ofensiva israelo-americana, sendo a outra os ataques a países da região.

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