O The 13 Palace, em Macau - outrora apontado como um dos hotéis mais dispendiosos e opulentos alguma vez construídos a nível mundial - voltou a abrir portas depois de vários anos marcados por encerramentos e sucessivas alterações de proprietários.
Reabertura do The 13 Palace: reservas e preços
Classificado como um empreendimento de cinco estrelas, o hotel cruza uma arquitetura de linhas modernas com uma estética barroca de inspiração europeia. No total, disponibiliza 199 suítes, todas equipadas com elevadores privados e com serviço de quarto personalizado, acessível a qualquer hora.
De acordo com a plataforma online do hotel, as reservas passam a poder ser feitas a partir desta segunda-feira, com tarifas por noite entre 3900 patacas (450 euros) e 6500 patacas (750 euros).
Do "The 13 Hotel" ao The 13 Palace: investimento e design
O projeto nasceu em 2013 pela mão do empresário de Hong Kong Stephen Hung, então sob a designação "The 13 Hotel". O investimento anunciado foi de 1,4 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros), com um custo médio de sete milhões de dólares (6,5 milhões de euros) por quarto, tendo chegado a ser descrito como "o hotel mais caro do mundo".
A conceção estética foi desenvolvida em conjunto por arquitetos e designers do Japão, de Hong Kong e dos Estados Unidos, contando, entre outros, com a participação do reputado arquiteto norte-americano Peter Marino.
Aposta no jogo VIP e sucessivos adiamentos
A estratégia inicial apontava ao segmento de jogo VIP, que, na época, representava a maior fatia das receitas dos casinos locais, estando previsto que o complexo incluísse até 66 mesas de jogo VIP.
Ainda assim, o hotel nunca chegou a obter uma licença de casino em Macau. A inauguração foi sendo empurrada para a frente, até que Hung acabaria por abandonar o projeto em 2018.
Nesse mesmo ano, o hotel teve uma abertura parcial, já sem casino, mas viria a suspender operações em 2020. Entretanto, a empresa proprietária, The 13 Holdings, alterou o nome para South Shore Holdings, enfrentando sérias dificuldades financeiras até que um tribunal decretou a falência em 2023.
Venda, renovações e novas áreas
Em junho do ano passado, o imóvel foi adquirido por 600 milhões de dólares de Hong Kong (69 milhões de euros) pela Chang Fu Investment Ltd, uma empresa associada à família do empresário da hotelaria de Macau, Loi Keong Kuong, que avançou com várias intervenções de renovação.
Entre as principais mudanças, o hotel passou a exibir uma fachada dourada, em substituição do anterior vermelho, foram introduzidos novos restaurantes e foi criada uma piscina com uma parede verde vertical, reconhecida pelo Guinness como a maior do mundo. Esta estrutura estende-se do 5.º ao 20.º andar e totaliza uma área de 2964 metros quadrados.
Frota de Rolls‑Royce Phantom
Um dos episódios mais marcantes - e extravagantes - do passado do hotel foi a encomenda de uma frota de 30 Rolls‑Royce Phantom, avaliada em 20 milhões de dólares (18,1 milhões de euros), a maior encomenda de sempre na história da marca.
No entanto, os veículos acabaram por ser vendidos em 2019 para liquidar dívidas. Atualmente, o hotel assegura o transporte VIP com 13 viaturas elétricas da marca chinesa JAC Motors.
Mudanças no jogo VIP em Macau
O novo diretor executivo do hotel, Lui Ka Hei, afirmou aos meios de comunicação locais, incluindo o jornal em língua chinesa Ou Mun, esperar que, com esta "imagem totalmente renovada, seja possível reverter os estereótipos do passado e oferecer uma opção única no mercado do turismo de lazer de luxo de Macau".
Nos últimos anos, o jogo VIP em Macau atravessou uma transformação profunda. O modelo dos 'junkets', que durante décadas liderou o mercado ao captar clientes VIP e ao disponibilizar crédito, foi desmantelado entre 2021 e 2023.
Com a entrada em vigor de uma nova lei do jogo de 2023, foram impostas exigências mais apertadas, passando os promotores a ter de operar apenas com uma dos seis concessionárias licenciadas e sob fiscalização reforçada.
Como resultado, o peso do jogo VIP nos resultados brutos de jogo totais desceu de quase metade em 2019 para pouco mais de um quarto em 2025, embora continue a significar receitas de milhares de milhões de patacas.
O crescimento recente tem sido puxado sobretudo pelo segmento de massas, que se tornou predominante, ao mesmo tempo que as autoridades locais procuram dar maior destaque a atrações e alternativas de entretenimento não associadas ao jogo.
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