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Ensaio à Mini Clubvan: o Mini de dois lugares para quem conduz

Carro MINI branco a circular numa estrada rural com campos e céu nublado ao fundo.

Este ensaio foi publicado pela primeira vez na Edição 243 da revista Top Gear (2013)

Boas notícias: se andava à procura de um Mini leve, de dois lugares e sem “extras” desnecessários, já não tem de se resignar ao Roadster ou ao Coupe, que não são propriamente um regalo à vista. Há um novo Mini pensado para quem gosta de conduzir e chama-se… Clubvan.

Mini Clubvan: uma carrinha (mesmo) e por boas razões

Como o nome e os olhos denunciam, a Clubvan é uma carrinha. Mais exactamente, é a versão furgão da Clubman: onde antes havia vidros laterais atrás, agora há chapa; os bancos traseiros desaparecem; e mantém-se a mesma porta “suicida” única do lado, que neste contexto passa a ser quase um capricho sem grande utilidade.

Tudo isto faz dela o Mini perfeito para donos de pequenos negócios que vivam de entregar, sei lá, cupcakes sem glúten de Pomerânia “artesanal” e afins. Só que a parte realmente importante é outra: esta é, simplesmente, o melhor Mini de dois lugares que pode comprar em termos de condução.

Como conduz a Mini Clubvan (e porque surpreende)

A sério. A forma como este carro se mexe faz o Mini Coupe parecer desajeitado. Talvez a ausência de bancos traseiros deixe menos peso sobre as rodas de trás do que numa Clubman normal, o que pode ajudar a suavizar aquela tendência do Mini para um rolamento aos solavancos.

Ou, mais provavelmente, é apenas um alívio pegar num Mini que não vem em especificação JCW para triturar vértebras, num Mini com flancos de pneus medidos em centímetros e não em micrómetros. Seja como for, esta Clubvan - com o seu diesel de 112 bhp e jantes discretas - conduz como os primeiros Minis da era BMW: um padrão que demasiadas adições recentes à marca (o Countryman e o Paceman, cheios de excessos, e o Coupe e o Roadster, mais pesados e irregulares) não conseguiram igualar.

Da coluna B para a frente, isto é Clubman pura e simples, o que significa que a posição de condução está no ponto: baixa, com os pedais bem alinhados. E o comportamento em curva é tão doce como esses cupcakes “de boutique”. Com a mesma suspensão traseira multibraços mais requintada da Clubman normal, a Clubvan entra em curva com uma vontade efervescente, sem cair naquela dureza de pancada na cabeça que o Mini tantas vezes adopta.

Gaiola, carga e os compromissos de um “furgão branco”

E ainda há mais: a Clubvan tem uma GAIOLA! Logo atrás da cabeça do condutor, tal e qual nos carros de ralis do WRC. Está bem, suspeitamos que isso pouco acrescenta à rigidez estrutural e tem mais a ver com impedir que os cupcakes sem glúten com tema Pomerânia lhe vão parar ao pescoço - mas, mesmo assim, é uma gaiola. Que mais “performance” quer?

Claro que, para chegar a este nível, há concessões a aceitar. Os ângulos mortos são tão grandes que quase justificavam um cão-guia e uma bengala extensível. Por outro lado, esta é a alegria típica de uma carrinha branca: as inevitáveis mossas e riscos passam a fazer parte do charme rijo e utilitário.

Se for um apreciador de carrinhas (um “carrinhófilo”?), certamente encontrará formas mais baratas, maiores e mais práticas de transportar mercadorias de origem ética. Mas se o objectivo é ter um Mini de dois lugares que conduza como um Mini de dois lugares deve conduzir - e, de bónus, com uma bagageira enorme - então a Clubvan é a opção mais “premium” para quem precisa de estar de frente para o cliente.

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