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Mísseis antinavio Tipo 88: exercícios nas Filipinas reforçam a cooperação com o Japão

Dois militares em uniforme de camuflagem observam e apontam para o mar perto de lança-foguetes em zona costeira.

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Os mísseis antinavio Tipo 88, utilizados pelas Forças de Auto-Defesa, ganharam maior visibilidade no quadro da cooperação militar crescente entre o Japão e as Filipinas. Enquanto as Forças Armadas filipinas analisam várias soluções para reforçar a defesa e o ataque costeiro, a aparição deste sistema em exercícios multinacionais recentes tem servido como sinal do avanço da interoperabilidade com parceiros da região.

Nesse âmbito, o secretário da Defesa das Filipinas, Gilberto C. Teodoro Jr., e o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, assistiram a um exercício de fogo real do sistema de lançamento de mísseis antinavio Tipo 88 nas dunas de areia de Paoay, em Ilocos Norte. A demonstração colocou em evidência a coordenação militar entre as Forças Armadas das Filipinas e aliados-chave - incluindo a Austrália e os Estados Unidos -, reforçando mecanismos de interoperabilidade no Indo-Pacífico.

Histórico e capacidades do sistema de mísseis Tipo 88

Em junho de 2025, as Forças de Auto-Defesa do Japão efectuaram, pela primeira vez, lançamentos de mísseis antinavio Tipo 88 a partir do seu próprio território. Os disparos de ensaio decorreram no campo de tiro de Shizunai, na prefeitura de Hokkaidō, contra um navio-alvo colocado a cerca de 40 km da linha de costa.

As autoridades japonesas acrescentaram ainda que o programa de treino previa vários lançamentos até ao final desse mês. A zona de instrução, com aproximadamente 1 256 km², permitiu testar diferentes perfis de tiro, o que ajudou a confirmar o desempenho operacional do sistema em condições controladas.

Evolução para sistemas mais avançados

Já em julho de 2025, o Japão prosseguiu a demonstração de capacidades com o sistema de mísseis antinavio Tipo 12 durante o Exercício Talisman Sabre 25. Nessa ocasião, as Forças Terrestres de Auto-Defesa do Japão (JGSDF) realizaram lançamentos contra alvos marítimos em coordenação com a Austrália.

A actividade teve lugar no campo de tiro de Beecroft, em Jervis Bay, onde foram disparados três mísseis, que atingiram o alvo com precisão. A operação contou com apoio australiano em tarefas de guiamento, estabelecendo um precedente de integração táctica entre as duas forças.

Contexto operacional nas Filipinas e cooperação

Antes do recente disparo do Tipo 88, as Filipinas já tinham acolhido vários ensaios de capacidades antinavio no âmbito do exercício Balikatan 2026. Durante estas manobras, o Exército dos EUA e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA empregaram os sistemas M142 HIMARS e NMESIS para simular operações de defesa costeira face a ameaças anfíbias.

Numa das fases do exercício, forças combinadas treinaram a defesa contra desembarques no norte de Luzón. O sistema HIMARS foi usado para atacar alvos navais simulados a diferentes distâncias, cobrindo cenários desde águas profundas até áreas litorais, com o objectivo de fortalecer a defesa insular.

No mesmo exercício, o Exército dos EUA efectuou, pela primeira vez nas Filipinas, o lançamento de um míssil Tomahawk a partir do novo sistema Typhon. O disparo, realizado a partir do aeroporto de Tacloban, teve como alvo um ponto a mais de 630 km e foi atingido com precisão após cerca de uma hora de voo, conforme confirmou o coronel Dennis Hernández, do Corpo de Fuzileiros Navais das Filipinas.

Neste contexto, o Japão começou a alargar a sua política de exportação de equipamento militar, abrindo espaço para potenciais transferências para as Filipinas. Entre as iniciativas sob avaliação encontra-se a possibilidade de transferir contratorpedeiros da classe Abukuma para a Marinha filipina, como parte de um esforço de reforço das capacidades navais.

O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, declarou: “Consideraremos de forma activa a possibilidade de dar um uso significativo ao equipamento em segunda mão das Forças de Autodefesa em benefício das nossas nações aliadas.” Estas palavras enquadram um processo de avaliação mais abrangente, que poderá vir a incluir sistemas como o míssil Tipo 88.

Em paralelo, a presença do Tipo 88 em exercícios realizados nas Filipinas - somada à cooperação regional e à modernização militar em curso - coloca este tipo de capacidade entre as opções que o país poderá ponderar para robustecer a defesa costeira. Embora não existam, até ao momento, confirmações de transferências concretas relativas a este sistema em particular, os exercícios conjuntos e o diálogo entre autoridades mostram uma aproximação gradual no domínio da defesa, com a demonstração de capacidades a manter-se sob atenção no actual quadro regional.

Imagens obtidas junto do Departamento Nacional de Defesa das Filipinas.

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