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Hyundai Motorsport no WRC: Portugal em força nos bastidores

Carro de rali Hyundai i20 N WRC com decoração das cores de Portugal em garagem com mapa na parede.

“Bom dia, sejam bem-vindos à Hyundai Motorsport”. Entre a surpresa e o orgulho, foi assim que Nicoletta Russo - responsável de comunicação da Hyundai Motorsport no Mundial de Ralis - nos recebeu, em bom português.

Para lá de assegurar a comunicação de toda a equipa, esta portuguesa também gere a agenda de pilotos, convidados e fãs que passam pela maior estrutura de hospitalidade do WRC. O propósito da nossa visita era simples: perceber, por dentro, como se organiza a equipa oficial Hyundai Motorsport.

Portugal em força

Só depois de entrarmos é que percebemos o peso da presença portuguesa na Hyundai Motorsport. O contributo nacional atravessa praticamente todas as frentes, da engenharia às equipas de mecânicos - sem esquecer a comunicação, desculpa Nicoletta!

Os nomes não são poucos: Orlando Lourenço (chefe de mecânicos), Rui Soares (engenheiro), Jorge Leite (mecânico), André Barbosa (mecânico), Nuno Cardoso (analista de telemetria), Sergio Couto (mecânico), Paulo Baptista (mecânico) e Nicoletta Russo (comunicação e eventos) formam o núcleo da Hyundai Motorsport com passaporte português.

Claro que não são os únicos portugueses a integrar a comitiva que dá corpo ao mais importante campeonato do mundo de ralis, mas este é, sem dúvida, o grupo «tuga» mais numeroso. Nenhuma outra equipa tem tantos portugueses quanto a Hyundai. No conjunto do WRC, haverá perto de 20 portugueses espalhados pelas várias estruturas. Portugal não é só futebol…

Uma «arte» de família

Além da conversa com Nicoletta, tivemos ainda tempo para falar com Sérgio Couto, o mecânico responsável pela frente-direita do Hyundai i20 WRC de Dani Sordo. Sim, frente-direita: em cada carro, cada “canto” fica entregue a um mecânico.

Questionado sobre a forte presença portuguesa na Hyundai Motorsport, Sérgio Couto foi direto: “não é uma questão de nacionalidade, é uma questão de competência. E nesta atividade os mecânicos portugueses não ficam a dever nada ninguém”. Ao que tudo indica, será mesmo o oposto.

E será que a famosa capacidade de desenrascanço explica por que razão os mecânicos portugueses são tão procurados? Sérgio Couto não compra essa ideia: “aqui é tudo altamente organizado”, dizia-nos o Sérgio, enquanto indicava uma caixa de ferramentas com o seu nome, meticulosamente arrumada até à última chave.

“Temos o tempo das intervenções limitado e não podemos falhar, é a diferença entre a vitória e a derrota. Eu que sou responsável pela frente direita do carro tenho procedimentos detalhados para tudo”, rematou.

Num desporto onde o cronómetro se mede à centésima de segundo, o detalhe pesa. Para Sérgio Couto, é precisamente esta obsessão pelo rigor que ajudou a transformar o programa de ralis da Hyundai Motorsport num exemplo de sucesso: “não deixamos nada ao acaso”.

A máquina nunca pára

Mesmo fora dos ralis, a Hyundai Motorsport continua em modo de corrida. Engenheiros e mecânicos mantêm uma rotina de formação e treino contínuos nas instalações de Alzenau, na Alemanha.

O objetivo é chegar aos fins de semana decisivos sem margem para falhas. O espetáculo agradece - e os clientes também. É na competição que a Hyundai encontra parte da motivação para esticar os limites da engenharia dos seus modelos; sem essa ponte, o desporto motorizado perderia o sentido.

Os números da Hyundai Motorsport no WRC

Pessoas, máquinas e meios. A operação da Hyundai no WRC é a maior de todo o paddock. A principal estrutura de hospitalidade tem 2 andares e inclui a zona de assistência (para todos os carros), uma área para receber convidados, sala de reuniões e outras divisões com funções variadas. Não é raro estarem ali mais de 100 pessoas ao mesmo tempo…

E, já que estamos a falar de números, ficam mais alguns dados curiosos sobre o WRC.

No caso da Hyundai, por cada carro oficial - num total de quatro carros - é preciso contar com um piloto, um navegador, uma grande equipa de mecânicos, equipa de apoio, camiões e viaturas de assistência. Por outras palavras: para manter quatro carros a correr, é necessária uma quantidade enorme de gente e de meios. É uma verdadeira “aldeia móvel” que viaja pelos quatro cantos do mundo.

Já a sair, ouvimos ao fundo: “gostaram?”. Era apenas Alain Penasse, o diretor de equipa da Hyundai no WRC. É sobre os seus ombros que assenta a missão de coordenar esta «aldeia».

“Sim, gostámos bastante”, respondemos nós. Durante cinco minutos - não mais do que cinco, porque o relógio não dá tréguas… - Alain Penasse conversou connosco. O atual diretor de equipa da Hyundai contou-nos que, em tempos, foi jornalista e fotógrafo; foi a forma que encontrou de se aproximar da sua grande paixão: os automóveis. Uma paixão que nasceu na Bélgica, no mítico circuito de Spa-Francorchamps, e que acabaria por culminar no convite para liderar a equipa da marca coreana com sotaque alemão. Porquê sotaque alemão? Essa é outra história… podes encontrá-la aqui.

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