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Quinze anos sem Diogo Vasconcelos: um exemplo de inovação e ambição

Grupo de jovens numa reunião com apresentação, janela grande mostra vista do rio e ponte suspensa ao fundo.

Quinze anos depois: um exemplo que permanece

Passaram quinze anos desde a morte de Diogo Vasconcelos. Foi uma partida súbita, inesperada, que deixou toda a gente atónita. Acima de tudo, Diogo Vasconcelos foi um exemplo - e, em Portugal, nestes tempos incertos e complexos, os exemplos contam mais do que nunca. Ele soube, como poucos, dar o melhor de si por um projeto de país inovador e ambicioso. Para quem, como eu, teve a honra de integrar o seu círculo de amigos mais próximos, essa lembrança ficará guardada para sempre entre as coisas que vale a pena revisitar.

Diogo Vasconcelos, risco e empreendedorismo em Portugal

Diogo Vasconcelos distinguia-se por uma inteligência rara e por uma leitura singular do futuro. Consagrou uma vida de conhecimento e de sabedoria a interpretar a realidade de um país que amava - e que, na sua perspetiva, não conseguia alinhar-se com o futuro.

Defendia com convicção que Portugal precisava de uma verdadeira cultura de gestão do risco. A matriz comportamental da população socialmente ativa é, muitas vezes, avessa ao risco, à aposta na inovação e à partilha de uma dinâmica positiva. Daí a urgência, que ele sublinhava, de mobilizar as capacidades mais férteis de criação de riqueza.

Para Diogo, fazer do empreendedorismo a alavanca de uma nova criação de valor - com presença no mercado global de bens e serviços efetivamente transacionáveis - foi sempre uma das ideias centrais na sua luta pela modernidade.

Ambição, inovação e o respeito por “tempo” e “qualidade”

Diogo Vasconcelos era, no sentido mais exigente do termo, um homem da Inovação. A falta de ambição e de sentido de futuro, sobretudo quando não se respeitam os fatores “tempo” e “qualidade”, era para ele inadmissível num mundo global.

Como dizia nas suas palavras, precisamos de ideias novas, de soluções novas e de projetar na sociedade o exercício da responsabilidade individual de forma aberta e participada. No Diogo, a vontade de fazer diferente e de criar coisas novas corria à velocidade do som. E soube, melhor do que ninguém, interpretar o espírito do tempo e perceber a importância de ser distinto num mundo em que tudo tende a parecer cada vez mais igual.

Sociedade do Conhecimento: escala, redes e cooperação positiva

Também por isso, Diogo Vasconcelos era um homem da Sociedade do Conhecimento. Considerava que a ausência de uma cultura prática de cooperação se tem revelado mortífera para a sobrevivência das organizações - e nunca foi ambíguo neste ponto.

Na Sociedade do Conhecimento, sobrevive quem consegue ganhar escala e participar, com valor, nas grandes redes de decisão. Num país pequeno, empresas, universidades e centros de competência precisam de assumir uma lógica de cooperação positiva em competição, sob pena de desaparecerem. Importa, portanto, potenciar e reforçar de forma efetiva essa capacidade de cooperação positiva, com dimensão estratégica e com condições para se consolidar a médio prazo.

Empresas, universidades, Centros I&D e a necessidade de mudança

Diogo Vasconcelos atribuía às empresas um papel central na criação de riqueza e na promoção de uma cultura sustentada de geração de valor, em articulação permanente com universidades, Centros I&D e outros atores relevantes.

Por isso mesmo, via as empresas como essenciais na tarefa de endogeneizar ativos de capital empreendedor com efeito social estruturante. E entendia que a “leitura” da sua prática operativa devia ser feita com profunda exigência analítica. Depois de trinta anos em que as empresas foram atores fortemente envolvidos nas dinâmicas de financiamento comunitário, permaneciam sinais de défice de capital empresarial em muitos dos protagonistas. Tornava-se, assim, imperativo avançar com uma agenda de mudança.

Uma voz singular e uma memória partilhada

Diogo Vasconcelos foi, para mim, a voz mais genial e inovadora de uma geração - uma geração que não se resigna à passividade e que sempre escolheu a ambição da diferença.

Conheci-o na universidade e, ao longo de todos estes anos, partilhámos experiências e cumplicidades únicas. A vida do Diogo foi breve, rápida, mas cheia de sentido. Todos nós podemos orgulhar-nos de ter feito parte dela. Tenho um enorme orgulho em ter sido seu amigo e em ter, no seu exemplo, um referencial único que, neste tempo de crise e de incerteza, ajuda a dar algum sentido à vida.


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