Faltavam apenas 40 segundos para a descolagem quando a contagem decrescente foi interrompida. No fim, a Starship não saiu do chão - mais um adiamento para o foguetão de Elon Musk. Só que, desta vez, é todo o sector espacial que acompanha a situação em suspenso.
A SpaceX apontava o dia 21 de maio para o décimo segundo voo de teste da Starship, o seu lançador gigante. E a empresa quis transformar o momento num grande espectáculo, ao ponto de chamar Nicki Minaj para a transmissão em directo. Recorde-se que a rapper manifestou recentemente apoio a Donald Trump. Nada foi deixado ao acaso.
O que falhou na torre de lançamento da Starship da SpaceX
Ainda assim, será preciso esperar. Com os tanques já cheios e a apenas 40 segundos do lançamento, a contagem decrescente ficou congelada. Depois de mais cinco tentativas para retomar o procedimento, a equipa em terra acabou por reconhecer que não havia condições e cancelou a operação.
A origem do problema esteve numa cavilha hidráulica que não conseguiu retrair num dos braços da torre de lançamento. Importa sublinhar que se trata de uma falha no equipamento de solo, sem qualquer ligação ao foguetão em si.
Próxima tentativa anunciada por Elon Musk
Elon Musk reagiu rapidamente na X e avançou uma nova tentativa para sexta-feira, 22 de maio, com uma janela de lançamento a abrir às 00h30 desta noite, hora de França metropolitana.
Um voo crucial
A Starship não voa desde outubro de 2025. E, desta vez, o que está em jogo vai muito além de um simples ensaio técnico. A versão 3 do foguetão é a primeira variante verdadeiramente operacional: mais potente e mais fiável, também consegue colocar 100 a 150 toneladas em órbita baixa, face às 35 da V2. É nela que assenta toda a ambição da SpaceX.
A pressão aumenta porque a NASA conta com este lançador para o programa Artemis, já que a Starship deverá servir de módulo de alunagem na missão Artemis IV, prevista para 2028. Ao mesmo tempo, aproxima-se uma eventual entrada em Bolsa da SpaceX. Esperada por volta de 12 de junho, poderá empurrar a empresa para uma valorização na ordem dos 2 000 mil milhões de dólares.
Só que a promessa da SpaceX está inteiramente ancorada na Starship. Se o calendário continuar a derrapar, o impacto pode estender-se a todo o modelo de negócio.
A nossa análise
A SpaceX construiu a sua imagem com uma filosofia conhecida: testar depressa, falhar depressa e repetir até funcionar. Adiamentos e explosões fazem parte do ADN da empresa - e é também por isso que Musk se mostra confiante, garantindo ter um grande número de foguetões já prontos em fábrica caso a Starship volte a explodir.
No entanto, o contexto mudou. A Starship deixou de ser um protótipo que se possa desperdiçar sem grandes consequências: tornou-se a peça central de uma construção financeira, industrial e geopolítica de enorme escala. Neste cenário, cada semana perdida pode corroer a confiança dos investidores.
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