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A IPO do século: SpaceX de Elon Musk chega a Wall Street no Nasdaq

Homens de negócios em bolsa com gráficos e modelo de foguetão, simbolizando lançamento e tecnologia.

O rolo compressor de Elon Musk está prestes a rebentar os recordes de Wall Street com a IPO do século. Alibaba, Visa, Saudi Aramco… eis os colossos da finança que a SpaceX se prepara para ultrapassar num só movimento.

O universo financeiro está à beira de um abalo sem paralelo. Na sexta-feira, 12 de junho de 2026, a SpaceX vai estrear-se em Wall Street com uma introdução em bolsa no Nasdaq, sob o símbolo SPCX, numa operação que promete mandar abaixo todos os superlativos. Com investidores institucionais a disputar as acções e a oferta a ser atacada a um ritmo febril, a ambição de Elon Musk está prestes a mexer com as regras do mercado bolsista à escala global.

E o magnata não chega aos mercados com prudência. A SpaceX aponta para uma valorização estratosférica de 1 750 mil milhões de dólares, com o objectivo de angariar de imediato entre 75 e 80 mil milhões de dólares. Sem precedentes. Musk quer alimentar um plano de dimensões gigantescas: financiar o mega-foguetão Starship, acelerar a expansão da Starlink, colocar centros de dados de IA em órbita e, a prazo, criar os alicerces financeiros para a colonização de Marte.

Para perceber até que ponto este rolo compressor pode esmagar os recordes, vale a pena recuar no tempo. A seguir, as 10 maiores entradas em bolsa (IPO) da História, com base nos montantes angariados.

Saudi Aramco, 2019 – 29,4 mil milhões de dólares

O gigante petrolífero estatal da Arábia Saudita mantém o recorde absoluto na história das finanças. Ao colocar apenas 1,5% do capital na bolsa local, a Tadawul, o reino montou uma captação de fundos sem igual, reforçada por uma colocação extra de acções à última hora para dar resposta à procura insaciável dos investidores. Um trono que, ainda assim, a SpaceX está prestes a fazer tremer.

Alibaba, 2014 – 25 mil milhões de dólares

O titã chinês do comércio electrónico criado por Jack Ma abanou Wall Street como poucos. Impulsionado pela explosão das compras online na Ásia, o primeiro dia de negociação no NYSE terminou com a acção a disparar 38%, selando, na altura, a maior IPO de sempre.

SoftBank Corp, 2018 – 23,5 mil milhões de dólares

Foi a divisão de telecomunicações japonesa do grupo de Masayoshi Son que assinou este feito na Bolsa de Tóquio. Uma operação gigantesca e altamente mediática, pensada, então, para reunir o máximo de liquidez e alimentar o enorme fundo de investimento tecnológico da casa-mãe, o célebre Vision Fund.

Ainda que o Vision Fund tenha protagonizado jogadas lendárias ao entrar cedo em promessas como Alibaba ou ARM, também tropeçou de forma pesada com desastres sonantes como o caso WeWork ou o colapso da fintech Greenshill.

Agricultural Bank of China, 2010 – 22,1 mil milhões de dólares

Um dos maiores golpes de força da banca mundial. Ao avançar em simultâneo para as bolsas de Xangai e de Hong Kong, o “banco das zonas rurais chinesas” captou capital dos maiores fundos do planeta. Um exemplo claro do crescimento económico fulgurante da China no início da década de 2010.

ICBC, 2006 – 21,9 mil milhões de dólares

O Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) também escolheu o caminho da dupla cotação simultânea. Uma IPO histórica que, na época, impressionou a comunidade financeira internacional e marcou a ascensão dos bancos estatais chineses como verdadeiras superpotências financeiras.

AIA Group, 2010 – 20,5 mil milhões de dólares

Uma história singular, directamente ligada à crise do subprime. Esta filial asiática de seguros de vida foi colocada com urgência na Bolsa de Hong Kong pela sua casa-mãe norte-americana, a AIG. O objectivo era claro: levantar rapidamente dezenas de mil milhões para reembolsar o governo federal dos EUA após o resgate histórico.

Visa, 2008 – 19,7 mil milhões de dólares

Dispensa apresentações como caso de estudo de “timing” perfeito. Realizada em março de 2008, apenas seis meses antes do colapso do Lehman Brothers e do congelamento total dos mercados, a entrada em bolsa da Visa no NYSE manteve durante anos o recorde absoluto em território norte-americano, desafiando a tempestade económica que se aproximava.

General Motors, 2010 – 18,2 mil milhões de dólares

Um verdadeiro sobrevivente da indústria automóvel. Depois de declarar falência em 2009 e de ter sido temporariamente nacionalizada pelo governo dos EUA para evitar um desastre industrial, a marca de Detroit conseguiu uma IPO impressionante um ano depois. Foi uma reviravolta para a indústria norte-americana. Ainda hoje, mantém estatuto de peso-pesado no sector automóvel mundial.

NTT DoCoMo, 1998 – 18,1 mil milhões de dólares

Um marco emblemático dos anos 90. No final do século passado, a operadora móvel japonesa NTT DoCoMo dominava aquele que era o mercado celular mais avançado do mundo. A sua estreia na praça de Tóquio assinalou o auge das telecomunicações e os primeiros passos da Internet móvel para o grande público.

Naquele período, enquanto no Ocidente muita gente ainda usava o telemóvel apenas para enviar SMS simples, a preto e branco, a operadora japonesa lançava o i-mode, o primeiro ecossistema completo de Internet móvel.

Enel, 1999 – 16,6 mil milhões de dólares

O top 10 fecha com o gigante italiano da electricidade e do gás. A sua introdução em bolsa, repartida entre a Bolsa de Milão e o NYSE, integrou-se na grande vaga europeia de liberalização, abertura à concorrência e privatização dos mercados de energia.


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