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Navios Ro-Ro: o que são, porque importam e o recorde do MV Tønsberg

Navio Ro-ros ferry descarregando automóveis novos num cais de porto ao pôr do sol.

Há embarcações que toda a gente já viu em fotografias de portos ou em travessias internacionais, mas nem sempre se sabe como se chamam. São os navios Ro-Ro, um tipo de navio concebido para levar automóveis, camiões, autocarros e maquinaria pesada - em suma, quase tudo o que tenha rodas.

Características e carregamento dos navios Ro-Ro

O traço que melhor distingue os navios Ro-Ro é a forma como a carga entra e sai: os veículos acessam o navio pelos próprios meios, circulando por rampas, sem depender de gruas, pórticos ou empilhadores. É precisamente esta lógica de entrar a rolar e sair a rolar que está por trás da designação Ro-Ro.

Outra particularidade é a configuração do espaço de carga. Em vez de porões tradicionais, estes navios contam com um convés muito amplo, pensado para acomodar o máximo de veículos, frequentemente repartido por vários níveis. Em determinadas unidades existe ainda área no convés superior onde pode ser transportada carga adicional - por exemplo, contentores.

A importância dos navios Ro-Ro

Segundo dados das Nações Unidas, cerca de 80% do comércio mundial (em volume) e mais de 70% (em valor) segue por via marítima.

Na prática, isto significa que é difícil comprar seja o que for sem que o transporte marítimo tenha participado na cadeia de valor. Os automóveis não fogem à regra - antes pelo contrário.

A pandemia de Covid-19 demonstrou essa dependência com especial clareza: os constrangimentos logísticos afectaram a produção e a entrega de veículos, e parte desses impactos ainda hoje se faz notar. O fecho de alguns dos principais portos do mundo levou a paragens de produção por falta de componentes e, em consequência, a atrasos na produção e nas entregas.

É, naturalmente, quando os veículos já estão concluídos que os navios Ro-Ro ganham protagonismo. A Autoeuropa, por exemplo, além de utilizar a ferrovia, também recorre ao transporte marítimo para expedir a produção para diferentes mercados.

Autoeuropa, Porto de Leixões e o navio Ro-Ro Siem Aristotle

Um exemplo concreto é o da unidade de Palmela. Após um intervalo de mais de quatro anos, o Porto de Leixões voltou a ter um papel no escoamento dos veículos produzidos na Autoeuropa, ajudando a evitar o congestionamento dos parques de espera junto ao Porto de Setúbal, que é o porto mais próximo da fábrica do Grupo Volkswagen.

Desta vez, a operação será assegurada pelo navio Ro-Ro Siem Aristotle.

A infra-estrutura, sob gestão da APDL - Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, irá embarcar cerca de 2000 automóveis nos próximos dias, com destino a Emden, na Alemanha. Será a terceira operação do género este ano.

O maior Ro-Ro do mundo

Entre as centenas de navios Ro-Ro que navegam actualmente, há um que se impõe pela escala: o MV Tønsberg. Trata-se do maior navio Ro-Ro do mundo.

As medidas ajudam a explicar porquê. O navio tem 265 m de comprimento total e ultrapassa 32 m de largura. Estas dimensões permitem-lhe disponibilizar 50 335 m² de área de carga - o equivalente a cinco campos de futebol.

"No total, o MV Tønsberg consegue transportar até 8.000 automóveis."

No capítulo da propulsão, o MV Tønsberg utiliza um motor de sete cilindros, fornecido pela MAN B&W, capaz de debitar 27 000 cavalos de potência às 108 rotações por minuto. Esta energia é transferida para uma hélice com 7,3 m de diâmetro.

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