Deixemos os automóveis de lado… só por desta vez. O tema é outro: hovercrafts. Sim, leu bem - hovercrafts. E não um modelo qualquer, mas sim o SR.N4 The Princess Anne, que continua a ostentar o estatuto de maior hovercraft comercial do mundo.
SR.N4: o hovercraft que dominou o Canal
Produzido pela British Hovercraft Corporation, o SR.N4 (Saunders-Roe Nautical 4) esteve em serviço entre 1968 e 2000. No total, saíram seis unidades: Swift, Sure, Sir Christopher, The Prince of Wales, The Princess Anne e The Princess Margaret.
Embora “deslizasse” sobre a água, a operação destes «monstros» do mar - e até a sensação a bordo - aproximava-se mais da de um avião do que da de um barco.
Mark 3: dimensões e capacidade em modo gigante
Ao longo de cerca de três décadas de actividade, estes SR.N4 foram sendo actualizados. As últimas e mais profundas alterações (Mark 3) foram aplicadas ao The Princess Anne e ao The Princess Margaret: se já impressionavam nas dimensões originais, depois passaram para outro patamar.
O comprimento cresceu de 39,68 m para 56,38 m, o que levou a um aumento quase para o dobro na capacidade de transporte de viaturas e pessoas: dos 30 automóveis e 250 passageiros da versão inicial para 60 automóveis e 418 passageiros. Foi assim que se afirmaram como os maiores hovercrafts comerciais do mundo.
A própria natureza do hovercraft - deslocar-se sobre a água suportado por uma almofada de ar - permitia velocidades fora do comum. A velocidade máxima era de 70 nós, praticamente 130 km/h (!). Ainda assim, em operação normal, os valores situavam-se entre os 40 nós (74 km/h) e os 60 nós (111 km/h). Mesmo nesses regimes, eram consideravelmente mais rápidos do que qualquer embarcação actual com a mesma função.
Com este desempenho, a travessia de cerca de 40 km entre Dover (Reino Unido) e Calais (França) fazia-se em apenas 35 minutos. A melhor marca, porém, pertence ao The Princess Anne e foi registada a 14 de setembro de 1995: somente 22 minutos - um recorde que permanece até hoje.
Mais de 4500 litros de combustível por hora
Para alcançar tais velocidades, todos os SR.N4 recorriam a quatro turbopropulsores (ou turbo-hélice) Rolls-Royce - turbinas a gás - que, em conjunto, debitavam 2800 kW de potência, o equivalente a 3807 cv(!).
Como é fácil perceber, a eficiência não era o seu forte. À velocidade de cruzeiro, o consumo chegava a 1000 galões de combustível por hora, ou seja, 4546 l/h. A bordo, levava 36 680 l de combustível, garantindo uma autonomia aproximada de 240 km.
Só o The Princess Anne sobreviveu
Apesar de uma utilização intensa ao longo de mais de 30 anos, os encargos de operação e manutenção foram aumentando com o tempo. Isso acabou por determinar a reforma, no ano 2000, dos dois SR.N4 que ainda existiam em serviço: o The Princess Anne e o The Princess Margaret.
A derradeira viagem foi realizada pelo The Princess Anne a 2 de outubro de 2000. Mais tarde, ambos foram adquiridos e ficaram «encostados» perto do Museu Hovercraft, em Lee-on-the-Solent, na Grã-Bretanha. O The Princess Margaret acabaria por ser desmantelado em 2018, devido ao seu estado avançado de deterioração.
O The Princess Anne, ainda hoje o maior hovercraft comercial, é o único sobrevivente dos seis SR.N4 e está previsto que seja restaurado. Mantém-se em exposição no Museu Hovercraft.
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