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A história do Boqueirão Hotel Fazenda e do turismo rural em Lages, na Serra Catarinense

Família feliz a passear numa quinta rural com cavalo, vacas e montanhas ao fundo numa tarde soalheira.

Boqueirão Hotel Fazenda e a origem do turismo rural em Lages

A trajectória do Boqueirão Hotel Fazenda confunde-se com a consolidação do turismo rural em Lages, na Serra Catarinense. A viragem começou no final da década de 1980, quando o casal Adriana Gamborgi - filha do proprietário - e Rogério Lebarbenchon levou um grupo de amigos da “capital” (Florianópolis) para passar um fim-de-semana na fazenda, que então oferecia poucas infra-estruturas.

Criada em 1896, a propriedade revelou aos visitantes um quotidiano muito diferente do litoral. A experiência, marcada pelo contacto directo com a rotina do campo, acabou por despertar a curiosidade de outros conhecidos, sobretudo de residentes da costa catarinense à procura de vivências que não encontravam nas cidades balneares.

“Naquele fim de semana vivenciamos a vida de fazenda com a lida de campo, manejo de gado e ovelhas, churrasco ao fogo de chão e, no fim do dia, a boa conversa ao redor do fogão à lenha. Retornamos a Florianópolis maravilhados com tudo o que tínhamos vivido”, conta Rogério.

De acordo com o administrador de empresas, o programa incluía actividades do dia-a-dia rural, como o maneio de gado e ovelhas, cavalgadas, churrasco ao fogo de chão e momentos de convívio à volta do fogão a lenha. O entusiasmo entre amigos e conhecidos fez com que a quinta começasse a ser divulgada de forma informal, inicialmente através de material impresso distribuído em Florianópolis.

A procura crescente traduziu-se num fluxo constante de visitantes durante o inverno de 1989. A partir daí, a família optou por dedicar-se por inteiro à recepção de hóspedes, dando forma a um dos primeiros projectos orientados para o turismo rural no país. Hoje, quase quatro décadas depois, o Boqueirão mantém-se como uma referência do sector na Serra Catarinense.

Agropecuária activa e paisagem da Serra Catarinense

Implantado numa área de quase 10 milhões de metros quadrados, o empreendimento continua a manter a actividade agropecuária em pleno funcionamento. A propriedade combina lavouras de soja, trigo, milho e pastagens, com a criação de gado das raças Angus e Brangus e de cavalos Crioulos. Durante a estada, os hóspedes podem acompanhar parte desta dinâmica.

Estrutura integra hospedagem e vida no campo

Hoje, o hotel disponibiliza mais de 70 unidades de alojamento, repartidas por várias categorias. Há suítes Classic, Lago e Bosque, bem como cabanas pensadas para quem procura um grau superior de privacidade. A oferta foi desenhada para receber tanto casais como famílias interessadas em experiências ligadas ao ambiente rural.

A programação procura aproximar os visitantes do dia-a-dia da fazenda e das paisagens da Serra Catarinense. Entre as actividades disponíveis encontram-se cavalgadas, trilhos ecológicos, caminhadas, observação de aves, pesca, passeios em carretão e visitas à pequena quinta com animais. O Boqueirão conta ainda com equipa de recreação infantil e iniciativas associadas ao turismo de aventura.

A zona de lazer inclui piscinas (uma térmica e outra exterior), ofurô, sauna, spa e espaços com lareira, particularmente procurados quando as temperaturas descem. Toda a água consumida na propriedade provém de fontes hidrominerais existentes na própria fazenda.

A proposta integra também a valorização da cultura local. Em determinados períodos do ano, a programação inclui apresentações artísticas e danças das invernadas do CTG Barbicacho Colorado, reforçando a ligação entre turismo, tradições campeiras e a identidade cultural da Serra Catarinense.

Gastronomia e novos projetos

A gastronomia assume-se como um dos eixos centrais da experiência. Em regime de pensão completa, o hotel recorre a ingredientes produzidos na própria propriedade e aposta em preparações típicas da culinária serrana. O pinhão, símbolo regional, aparece em diferentes receitas ao longo do ano.

Nos últimos anos, o empreendimento passou também a investir na produção de vinhos através da Quinta do Boqueirão. O projecto reúne cerca de seis mil videiras plantadas na propriedade e alarga o conjunto de experiências oferecidas aos visitantes.

Neste momento, a produção é apresentada em dois rótulos experimentais chamados Lote Zero: um feito com uvas tintas e outro com uvas brancas. Os vinhos são servidos aos hóspedes, e a intenção futura passa por integrar experiências de prova na oferta de alojamento.

A iniciativa acrescenta novas actividades à fazenda sem desviar a sua vocação principal, centrada na vivência rural, na cultura campeira e no contacto com a paisagem característica do planalto serrano catarinense.

O jornalista viajou a convite do Conserra (Conselho de Turismo da Serra Catarinense).

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