Visitar o Cristo Redentor é daqueles programas incontornáveis que continuam a surpreender - mesmo quem já lá foi várias vezes costuma voltar a sentir o mesmo impacto ao chegar ao topo do Corcovado. E, a partir de agora, há mais uma razão para repetir a subida: um novo miradouro acaba de ser aberto ao público.
A novidade foi inaugurada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e passa a oferecer mais um ponto de observação na zona de visitação do monumento, criando uma nova perspetiva sobre alguns dos postais mais cobiçados do Rio de Janeiro.
Situado a 673 metros de altitude, o miradouro foi pensado para ajudar a distribuir melhor o fluxo de visitantes e, ao mesmo tempo, proporcionar um enquadramento diferente da Cidade Maravilhosa.
A partir dali, é possível apreciar com destaque a silhueta marcante da Pedra da Gávea, os contornos da Lagoa Rodrigo de Freitas e uma ampla faixa da icónica linha costeira carioca.
O resgate de um espaço esquecido
Para quem se questiona como foi possível integrar uma nova área de observação num dos cumes mais disputados do planeta, a explicação passa pela sustentabilidade e pelo respeito ao património. Em vez de criar algo do zero, o ICMBio recuperou uma estrutura já existente no Alto Corcovado que, até aqui, se mantinha fechada ao público em geral.
O local recebeu um deck de madeira com cerca de 50 metros quadrados e foi alvo de uma renovação completa. Para aproximar os visitantes da riqueza da Mata Atlântica que envolve o monumento, foi ainda criado um jardim no perímetro, com 360 mudas de espécies nativas.
Entre as plantas escolhidas, ganham destaque a Thaumatophyllum corcovadense e a Eugenia corcovandensis - espécies que trazem no próprio nome científico a ligação directa à montanha.
Para lá da vista, a intervenção também teve em conta o conforto de quem faz a subida. A área envolvente passou a contar com novas casas de banho, fontes de água para hidratação e bancos para descanso. Para quem não dispensa estar ligado, deverão ser instalados em breve pontos de carregamento de telemóvel. O acesso ao miradouro é feito por uma escadaria com aproximadamente 240 degraus.
Como visitar e quanto custa?
Apesar de o novo miradouro recorrer a uma estrutura de apoio do Parque Nacional da Tijuca, ele encontra-se dentro do complexo do Cristo Redentor - o que faz com que a entrada esteja associada ao bilhete do monumento.
Para chegar ao topo, mantêm-se as quatro formas tradicionais de acesso, com preços que variam conforme o orçamento e a disposição:
- A pé (trilho): opção indicada para quem prefere aventura e decide subir pelos trilhos da floresta. O acesso ao monumento custa R$ 60 (valor do ingresso, sem transporte incluído).
- Carrinhas oficiais: o serviço credenciado da concessionária Paineiras-Corcovado tem tarifas a partir de R$ 87.
- Trem do Corcovado: a viagem clássica e cheia de charme, atravessando a floresta, custa R$ 134 por pessoa.
- Guias credenciados: também é possível subir com condutores e agências de turismo autorizadas pelo parque.
Mergulho na maior floresta urbana do mundo
A abertura do miradouro reforça o lugar do Parque Nacional da Tijuca como um dos grandes tesouros turísticos e ambientais do Brasil. Sendo o parque nacional mais visitado do país - com a marca expressiva de 4,9 milhões de visitantes em 2025 -, esta unidade de conservação vai muito além do Cristo Redentor. Ali encontram-se lugares como o Parque Lage, a Pedra Bonita e inúmeras cascatas e trilhos gratuitos.
Importa recordar que a floresta exuberante vista do novo miradouro resulta do primeiro grande projecto de reflorestação do mundo, iniciado por Dom Pedro II para reparar os danos provocados pelas plantações de café.
Hoje, reconhecida como Património Mundial pela Unesco, esta herança verde ganha mais um capítulo e convida viajantes de todo o mundo a redescobrir o Rio a partir de cima.
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