A primeira corveta BR-71 construída pela EDGE e pelo estaleiro francês CMN para a Marinha de Angola foi recentemente lançada à água no porto de Cherburgo, em França. A embarcação, baptizada NRA Ekuikui II, é a primeira unidade da classe BR-71 MK II Combattante e integra um contrato avaliado em cerca de 1.000 milhões de euros, concebido para reforçar as capacidades navais angolanas.
Programa BR-71 MK II Combattante e construção pela CMN
O navio foi concebido e construído pelo estaleiro francês Constructions Mécaniques de Normandie (CMN), especializado no desenho, engenharia e construção de navios navais e comerciais. A corveta BR-71 MK II tem 71 metros de comprimento e representa a primeira unidade do seu tipo no âmbito do programa acordado com a Marinha angolana, inserido num projecto mais abrangente destinado a modernizar a frota e a expandir as capacidades de vigilância marítima.
ADSB (EDGE) e entregas de interceptores para Angola
O programa é liderado pelo grupo tecnológico e de defesa EDGE, através da sua subsidiária Abu Dhabi Shipbuilding (ADSB). No âmbito deste esforço, a empresa já entregou a Angola seis interceptores de alta velocidade com 12 metros de comprimento e um lote de cinco interceptores com 16 metros, plataformas que integram a frota moderna do país e apoiam missões de vigilância marítima e de segurança nacional.
O director executivo da ADSB, David Massey, sublinhou a rapidez de execução e a cooperação industrial entre os participantes. “Através de uma estreita colaboração com a CMN e outros parceiros internacionais, estamos a atingir marcos importantes para a Marinha de Angola a um ritmo acelerado. Após termos assinado o contrato há apenas dois anos, a primeira corveta de 71 metros já foi lançada à água e os interceptores avançados foram entregues”, afirmou.
Massey indicou ainda que o programa inclui mais duas corvetas no mesmo contrato. “Duas corvetas adicionais seguir-se-ão a esta, uma será construída pela CMN e a outra pela Abu Dhabi Shipbuilding em Abu Dabi após uma transferência de tecnologia. Este impulso reflecte a força da nossa parceria e o nosso compromisso partilhado de reforçar a segurança marítima de Angola”, acrescentou o executivo.
Capacidades não tripuladas com o HT-100 NAVAL (ANAVIA)
As corvetas BR-71 MK II Combattante irão também incorporar capacidades não tripuladas, através da integração do helicóptero naval não tripulado HT-100 NAVAL, concebido na Suíça e adaptado pela ANAVIA, outra entidade do grupo EDGE. Cada corveta contará com dois sistemas aéreos não tripulados equipados com sensores electro-ópticos e infravermelhos (EO/IR), integrados nos sistemas de gestão de combate do navio para alargar as capacidades de vigilância marítima.
O fundador e co-director executivo da ANAVIA, Ishan Sahgal, referiu que o sistema permitirá reforçar a monitorização marítima da marinha angolana. “Estamos a fornecer à Marinha de Angola um multiplicador de força comprovado para a vigilância marítima. Além do desempenho avançado e da fiabilidade do HT-100, também fornecemos uma estação de controlo personalizada e apoio logístico integrado juntamente com formação”, explicou.
Modernização da Marinha de Angola e cooperação industrial internacional
O lançamento da primeira corveta BR-71 MK II ocorre num quadro de modernização continuada da Marinha de Angola e de cooperação industrial internacional. Nos últimos anos, o país africano incorporou novas plataformas navais construídas pela CMN, incluindo o patrulheiro trimarã Ocean Eagle 43, entregue em 2022, bem como embarcações de desembarque de carros de combate (LCT, Landing Craft Tank) lançadas à água em 2023. Estas aquisições inserem-se em diferentes contratos destinados a ampliar as capacidades navais angolanas e a reforçar a sua segurança marítima.
Imagens obtidas da CMN.
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