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Pilotos europeus da Ryanair aprovam moção de "não confiança" na administração

Grupo de pilotos em uniforme a votar numa eleição com urna transparente numa sala junto a janelas grandes.

Os pilotos europeus da Ryanair votaram uma moção de "não confiança" relativamente à administração da transportadora de baixo custo, argumentando que a classe já não acredita que a empresa esteja a conduzir, "de boa-fé", a negociação dos acordos coletivos de trabalho. A companhia aérea rejeita a acusação e garante que "estas alegações são falsas".

Moção de "não confiança" aprovada pelos pilotos (RTPG)

De acordo com um comunicado do Ryanair Transnational Pilot Group (RTPG) - estrutura que agrega pilotos de vários sindicatos europeus - os profissionais "aprovaram uma moção de não confiança na gestão da Ryanair".

"A mensagem do Ryanair Transnational Pilot Group (RTPG) é inequívoca: os pilotos já não acreditam que a Empresa esteja a negociar os seus acordos coletivos de trabalho de boa-fé", refere a mesma nota.

Negociação coletiva na Alemanha e críticas ao VC

O RTPG afirma que, nos últimos dias, "a direção da Ryanair/Malta Air tem divulgado atualizações internas aos seus pilotos baseados na Alemanha, apresentando o sindicato como o obstáculo ao progresso". Acrescenta ainda que "narrativas semelhantes foram relatadas por representantes de pilotos noutras jurisdições durante rondas anteriores de negociação coletiva".

Nesse enquadramento, segundo a entidade, a empresa tem sustentado que está "em cima da mesa uma proposta generosa, que inclui a reposição da escala de cinco dias de trabalho por quatro de descanso, aumentos salariais e melhorias dos subsídios, o sindicato alemão (VC) está a atrasar, os pilotos estão a perder aumentos salariais e melhorias na escala de trabalho, mês após mês, como resultado e o encerramento da base de Berlim é prova do quão insustentável se tornou o mercado alemão".

RTPG diz que o relato da empresa não espelha o processo

Para o RTPG, a descrição feita pela companhia não traduz "o curso real das negociações".

"Ao longo do processo, o VC e os representantes dos pilotos apresentaram repetidamente propostas destinadas a encontrar pontos em comum e a alcançar um acordo sustentável", mas - na perspetiva dos pilotos - essas propostas foram "frequentemente rejeitadas sem uma apreciação séria ou acompanhadas por contrapropostas, que não abordaram as preocupações subjacentes levantadas durante as negociações".

Além disso, os representantes dos pilotos acusam a Ryanair de "abrir processos disciplinares contra membros da equipa de negociação do VC e outros funcionários afiliados ao sindicato durante uma fase crítica das negociações".

"O RTPG, por isso, apela à gestão da Ryanair/Malta Air para retomar a negociações genuínas e de boa-fé", indica o comunicado, sublinhando que "uma moção de não confiança não é tomada de ânimo leve" e que "reflete uma crença crescente entre os pilotos de que as táticas de pressão não produzem acordos duradouros; produzem uma desconfiança ainda maior".

Ryanair diz que "alegações são falsas"

Numa resposta enviada ao JN, a Ryanair afirmou que "estas alegações são falsas" e que "não comenta casos individuais". "As negociações com os nossos pilotos e os seus representantes estão em curso na Alemanha. Os nossos pilotos em todos os outros países já estão abrangidos por acordos coletivos de longo prazo, incluindo novos contratos de cinco anos negociados recentemente em Itália, Roménia e Dinamarca".

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