Lançamento à água da KD Sharif Mashor (2503) no estaleiro de Lumut
A Armada Real da Malásia (RMN) assinalou o lançamento à água da sua terceira fragata da classe Maharaja Lela, a KD Sharif Mashor (2503), no estaleiro Lumut Naval Shipyard, no estado de Perak. A cerimónia representa mais um passo no programa de Navios de Combate Litoral (LCS, na sigla em inglês) - um projecto essencial, embora marcado por atrasos - desenvolvido com apoio do grupo francês Naval Group.
Após a saída para a água, o navio deverá iniciar, nas próximas semanas, a fase de aprontamento e equipamento. É nesta etapa que serão incorporados, de forma gradual, os sistemas de combate, sensores, armamento e electrónica, antes do arranque das provas de mar.
Um programa central para a modernização naval da Malásia
As fragatas da classe Maharaja Lela partem do desenho francês Gowind 2500, da Naval Group, e foram concebidas como pilar da renovação da frota de superfície da Malásia. O programa LCS previa, no plano inicial, a construção de seis unidades, mas, nos últimos anos, acumulou atrasos significativos e passou por revisões orçamentais.
Na formulação actualmente em vigor, o objectivo passa por concluir as primeiras cinco unidades em fases sucessivas.
Características das fragatas classe Maharaja Lela (Gowind 2500)
Em termos de configuração, os navios da classe Maharaja Lela distinguem-se por um deslocamento de 3.100 toneladas e por uma eslora na ordem dos 111 metros. Integram o sistema de combate SETIS da Naval Group, um radar de vigilância aérea da THALES, mísseis antinavio e antiaéreos, bem como capacidade antissubmarina com torpedos ligeiros. Contam ainda com convés de voo e hangar para helicópteros.
O conceito do projecto está direccionado para missões de guerra antissubmarina (ASW), guerra antisuperfície (ASuW) e defesa aérea de ponto, além de operações de patrulha na vasta zona económica exclusiva da Malásia.
Atrasos, reestruturação e estado das restantes unidades
Este programa tem sido apontado como um dos mais ambiciosos realizados por Kuala Lumpur no domínio naval, tanto pelo salto qualitativo nas capacidades proporcionadas por estas novas fragatas, como pela intenção de reforçar competências industriais nacionais na construção de navios de guerra complexos.
Os atrasos referidos levaram a que o programa LCS sofresse interrupções, sobretudo por ter ficado envolvido em controvérsias associadas a questões financeiras e administrativas, o que empurrou substancialmente para a frente a entrega da primeira unidade. Ainda assim, nos últimos dois anos, o governo malaio procedeu a uma reestruturação do projecto, retomando a produção sob novos modelos de supervisão.
Por fim, importa referir que as restantes fragatas Maharaja Lela se encontram em diferentes fases de execução. A primeira embarcação estará já numa etapa avançada de finalização, enquanto, no caso da segunda, foi indicado que progride no processo de integração de sistemas. Tudo isto decorre num contexto em que se procura reforçar a presença naval no Mar do Sul da China, área marcada por disputas territoriais e por uma actividade militar crescente.
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