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Precisamente um ano depois de ter sido noticiada a apresentação oficial do sistema de mísseis hipersónicos HVGP durante o “Exercício de Fogo Real Fuji 2025”, o mesmo palco - o campo de treino de Higashi-Fuji - assistiu, a 7 de junho, a um marco de natureza diferente: a primeira demonstração pública do sistema já como capacidade plenamente operacional, sob a sua nova designação oficial, Míssil Hipersónico Planeador Tipo 25 (25HGP, na sigla em inglês).
No exercício de 2025, o míssil - montado num lançador do tipo TEL, instalado numa plataforma 8x8 tipo camião - encontrava-se ainda, segundo confirmaram responsáveis da Agência de Aquisições, Tecnologia e Logística (ATLA, na sigla em inglês), em fase de desenvolvimento. Nessa altura, a entrada em serviço estava apontada para 2026, embora sem datas concretas. Doze meses volvidos, essa indefinição deixou de existir.
Entrada ao serviço
A 31 de março de 2026, a Força Terrestre de Autodefesa do Japão anunciou formalmente a entrada ao serviço do seu primeiro míssil standoff de desenvolvimento nacional e, em simultâneo, atribuiu-lhe a designação definitiva: Projétil Hipersónico Planeador Tipo 25 (25HGP, na sigla em inglês). O sistema, conhecido até então como HVGP durante a fase de desenvolvimento, foi colocado no Quartel de Fuji, na Prefeitura de Shizuoka - a mesma base onde tinha sido revelado ao público pela primeira vez um ano antes.
No mesmo dia, a força terrestre declarou igualmente operacional um segundo sistema standoff: o Míssil Guiado Superfície–Navio Tipo 25 (25SSM, na sigla em inglês), uma evolução do conhecido Tipo 12, que ficou estacionado no Quartel de Kengun, na Prefeitura de Kumamoto.
O sistema Tipo 25 HGP: características e perfil de voo
O Tipo 25 HGP é lançado por um foguetão propulsor que o eleva até à alta atmosfera; depois, o veículo planador inicia a descida sobre o alvo a velocidades muito elevadas e através de trajectórias com manobras irregulares. Este perfil de voo torna-o substancialmente mais difícil de interceptar do que mísseis balísticos ou de cruzeiro convencionais, uma vez que os radares adversários e os sistemas de defesa antimíssil têm dificuldade em antecipar o trajecto final de aproximação.
Na configuração Block 1, actualmente em serviço, o alcance situa-se em várias centenas de quilómetros. Já está prevista uma variante Block 2 com alcance de 2.000 quilómetros, com entrada em serviço programada para a década de 2030. Versões posteriores procuram ampliar esse alcance para entre 2.000 e 3.000 quilómetros.
Exercício Fuji Firepower 2026
A demonstração de 7 de junho envolveu cerca de 2.100 militares e simulou cenários de resposta a um desembarque de forças inimigas nas ilhas periféricas japonesas. Participaram aproximadamente 50 veículos blindados e foram empregues 69,5 toneladas de munições. Várias unidades conduziram operações coordenadas, incluindo uma unidade de vigilância com drones.
Importa ainda referir que os disparos de treino com o tanque de última geração Tipo 10 foram cancelados após um acidente com munições ocorrido em abril, na área de treino de Hijudai, na Prefeitura de Oita.
Enquadramento estratégico
A disponibilização do Tipo 25 HGP como sistema operacional não deve ser vista isoladamente. Trata-se da manifestação mais concreta de uma viragem histórica na postura de defesa japonesa, cujo ponto de partida formal foi a nova Estratégia de Segurança Nacional aprovada em dezembro de 2022. Nesse documento, é indicado explicitamente que a China será o principal rival estratégico do Japão nas próximas décadas e que o ambiente de segurança que envolve o país é o mais severo desde a Segunda Guerra Mundial.
Nesse quadro, o Japão tem dado prioridade ao reforço das suas forças na região sudoeste. As ilhas Ryukyu, o arquipélago que se estende do Japão continental até Taiwan, receberam múltiplas bases de mísseis, posições de radar e infra-estruturas defensivas adicionais, perante a preocupação com um eventual conflito no Estreito de Taiwan e com as ambições chinesas sobre as disputadas Ilhas Senkaku.
Com base neste contexto, a colocação do 25SSM na base do Exército Ocidental, em Kyushu, permite às forças japonesas atingir alvos marítimos em toda a região sudoeste, no Mar da China Oriental e até no território continental chinês.
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