A Alpine não confirma que vá recuperar motores de combustão nos seus desportivos de estrada, mas também evita encerrar definitivamente essa hipótese. A marca francesa já reconheceu que a nova Alpine Performance Platform - a base técnica que dará origem à próxima geração do A110 - foi concebida com margem de adaptação suficiente para acolher um motor de combustão, caso o mercado o peça.
Alpine Performance Platform e o futuro do A110
Se esse cenário se concretizar, o caminho da Alpine poderá aproximar-se do que a BMW M está a preparar para o novo M3: duas abordagens tecnológicas, elétrica e combustão, deixando a decisão final nas mãos dos clientes.
O V6 híbrido HORSE W30 ganha relevância
É uma possibilidade que pode ter sido reforçada nas últimas semanas. No Salão Automóvel de Pequim, a Horse Powertrain - empresa participada pela Renault, Geely e Aramco - apresentou o novo HORSE W30, um V6 híbrido que está muito perto de entrar em fase de produção.
Trata-se de um motor com 3,0 litros de cilindrada, com potência anunciada entre 476 cv e 544 cv, e um peso de 160 kg. De acordo com a empresa, é o V6 mais leve atualmente disponível no mercado. Um conjunto com vários argumentos que podem interessar à histórica marca francesa: dimensões contidas, massa reduzida, muita potência e uma conceção feita de raiz a pensar em soluções híbridas.
Para além do Alpine A110
Nesta altura, Philippe Krief, diretor-executivo da Alpine, já deverá ter analisado com atenção as cotas do motor - 460 mm de comprimento, 690 mm de largura e 650 mm de altura - e, por assim dizer, medido as possibilidades de integração na Alpine Performance Platform.
Com este motor ou com outro, a realidade é que o Grupo Renault tem hoje um leque alargado de alternativas de propulsão prontas a considerar: elétricas, híbridas, elétricas com extensor de autonomia (EREV) e, agora, até um V6 híbrido orientado para alto desempenho. Poucas marcas conseguem reunir tantas opções diferentes para dar vida a um desportivo.
Desde que regressou, a Alpine também não tem pedido autorização para entrar no território de rivais históricos - e a disputa entre o Alpine A110 e o Porsche 718 é um bom exemplo disso.
Um passo em direção ao Porsche 911 (2028)
Com um motor deste tipo, passa a existir uma porta aberta para lançar um modelo capaz de enfrentar o incontornável Porsche 911. E, aqui, os prazos até coincidem: o motor deverá entrar em produção em 2028 e a Alpine pretende colocar no mercado um superdesportivo, acima do A110, precisamente em… 2028.
Seria excelente que as peças encaixassem. E a história dá razões para isso: sempre que a Alpine e a Porsche se cruzaram - no WRC, no WEC, ou mesmo em modelos de produção -, no fim, quem ficou a sorrir fomos nós.
Ainda assim, por agora há um ponto seguro: a prioridade da Alpine continua a ser o A110 totalmente elétrico. Um modelo que responsáveis da marca garantiram à Razão Automóvel, durante a apresentação do plano FutuREady, que será memorável - e o legado da Alpine neste segmento assim o exige.
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