Numa economia mundial cada vez mais intrincada, com um acréscimo claro da concorrência internacional e com as novas dinâmicas trazidas pela IA, a Gestão passa a assumir uma relevância estratégica renovada. É neste enquadramento que a APM - Associação Portuguesa de Management (que assinala 50 anos no próximo ano) inicia um novo ciclo, no qual pretende dinamizar várias Redes de Parceria - Conhecimento, Competitividade, Empreendedorismo e Mercados - para discutir, de forma aberta e participada, o tema da Boa Gestão. Gerir com qualidade é avançar na construção de um futuro melhor, e essa agenda exige o contributo de todos.
APM - Associação Portuguesa de Management e as Redes de Parceria para a Boa Gestão
A afirmação da Boa Gestão, neste novo tempo, assenta desde logo na criação e ativação positiva de uma cultura de inteligência competitiva. Isso implica pôr em marcha uma agenda de colaboração em rede, reforçar instrumentos que valorizem a ética comportamental entre os diferentes atores e definir uma matriz doutrinária, com disseminação pedagógica, que qualifique princípios como o rigor e o respeito pela inclusão na sociedade, sem deixar de reconhecer a aceitação dos resultados inerentes ao jogo da competitividade. O objetivo não é impor modelos de gestão pré-formatados a uma economia com padrões comportamentais historicamente enraizados; é, antes, transformar o desafio de qualificar as organizações num exercício exigente de responsabilidade coletiva, capaz de alterar - para melhor - a capacidade de “ir a jogo”. A Boa Gestão tem de estar presente e integrar esse processo.
Cultura de inteligência competitiva e ética comportamental
É por aqui que tudo deve arrancar. Trata-se, de forma evidente, do vértice mais determinante do capital estratégico que importa construir neste novo ciclo. Um maior grau de seletividade nas apostas empresariais, uma exigência superior na qualidade do financiamento e uma atenção operativa reforçada na monitorização dos resultados alcançados têm de caminhar em paralelo com esta ação global de qualificação sustentada que se pretende para a gestão empresarial. Sem se concretizar por decreto, esta ação de competence building nas nossas estruturas empresariais será, sem dúvida, um exercício inteligente, assente num compromisso entre o respeito pela tradição corporativa e o papel incontornável que a inovação deve desempenhar ao longo do percurso. Neste contexto, a Boa Gestão tem de afirmar-se como um ator de inteligência competitiva partilhada em rede.
Competence building e modernidade estratégica nas empresas
Às empresas cabe o lugar central na criação de riqueza e na promoção de uma cultura sustentada de geração de valor, numa lógica de articulação contínua com universidades, centros de I&D e outros atores relevantes. Por isso, são também as empresas elementos essenciais no trabalho de endogeneização de ativos de capital empreendedor com impacto social estruturante, sendo a leitura da sua prática operativa um exercício que deve ser conduzido com elevada exigência analítica. A Boa Gestão tem de atuar como indutor de modernidade estratégica dentro das organizações, dotando-as de um sentido de aposta estrutural na procura de valor e de excelência, enquanto fatores centrais de uma nova competitividade para a nossa economia e para a nossa sociedade. A Boa Gestão tem de funcionar como um driver de mudança positiva orientada para o futuro.
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