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Um bombardeiro B-2 da Força Aérea dos EUA (USAF) lançou o míssil anti-navio LRASM durante um exercício de afundamento de navios (SINKEX) levado a cabo no Pacífico, a norte das Ilhas Marianas. A acção serviu para confirmar a aptidão do bombardeiro furtivo para atacar alvos navais a grande distância e para reforçar as operações de ataque marítimo numa área que Washington considera estratégica.
A actividade foi conduzida pelas Pacific Air Forces (PACAF) e incluiu um disparo real do Long Range Anti-Ship Missile (LRASM) a partir de um B-2 Spirit. Segundo a organização, o exercício evidenciou a capacidade da aeronave para cumprir missões de longo raio de acção dentro do alcance de potenciais ameaças, alargando as opções operacionais disponíveis para a Força Aérea norte-americana.
O exercício SINKEX a norte das Ilhas Marianas
No SINKEX, o foco incidiu em validar, em condições de treino, um perfil de ataque marítimo com armamento real e alcance significativo. Para a PACAF, este tipo de ensaio ajuda a consolidar a prontidão para operações no Pacífico, combinando alcance, discrição e capacidade de engajamento contra alvos navais.
O B-2 reforça as capacidades de ataque marítimo com o LRASM
O LRASM é um míssil anti-navio desenvolvido pelos Estados Unidos para localizar e destruir embarcações inimigas a grandes distâncias. O sistema enquadra-se na estratégia norte-americana de reforço do ataque marítimo, ao conjugar grande alcance com sensores destinados a identificar alvos e a limitar a exposição do vector às defesas adversárias.
O comandante das Pacific Air Forces (PACAF), general Kevin B. Schneider, sublinhou o peso da demonstração: “O impressionante desempenho do B-2 demonstra o compromisso das Forças Armadas dos Estados Unidos com a adaptabilidade e a flexibilidade face aos desafios de segurança emergentes”, afirmou. Acrescentou ainda: “Ao priorizar as operações de ataque marítimo, podemos manter uma vantagem decisiva sobre os nossos adversários, proteger os nossos interesses nacionais e garantir um Pacífico livre e aberto que sustente a nossa segurança global”.
De acordo com a Força Aérea dos EUA (USAF), o lançamento do LRASM a partir do B-2 traduz um novo passo na evolução de capacidades para enfrentar ameaças no domínio marítimo. A instituição acrescenta que esta integração reforça a dissuasão e amplia o leque de opções para actuar em cenários de elevada complexidade.
Um programa que continua a expandir a sua integração
O desenvolvimento do LRASM tem avançado a um ritmo consistente ao longo dos últimos anos. Em abril de 2024, a Lockheed Martin confirmou o lançamento simultâneo e bem-sucedido de quatro mísseis durante o 12.º Evento de Teste Integrado (ITE-12), realizado com a Marinha dos EUA (US Navy) em águas próximas do estado da Florida. Essa avaliação foi uma etapa importante para comprovar o desempenho do sistema antes da sua integração em diferentes plataformas.
Durante esses ensaios, a empresa referiu que o míssil incluía um sistema de apoio electrónico (ESM) com capacidade para detectar ameaças e planear trajectos de evasão perante contramedidas inimigas. O objectivo destas funcionalidades é aumentar a sobrevivência do míssil e elevar a probabilidade de atingir alvos navais em cenários de combate mais complexos.
Mais tarde, em junho do ano passado, um bombardeiro B-2 realizou igualmente outro teste, mas dessa vez com uma bomba anti-navio QUICKSINK. Tratava-se de uma JDAM GBU-38 de 227 quilogramas, com um peso consideravelmente inferior ao das provas de 2024; então, qual era o objectivo? Empregar novo armamento que exija investimentos menores na sua produção e que, ao mesmo tempo, permita às aeronaves da USAF transportar uma quantidade superior destas munições, reforçando assim a capacidade de resposta rápida perante ameaças navais.
Integração do LRASM no F-35C e ensaios de comportamento em voo
Mais recentemente, em junho de 2026, a Lockheed Martin anunciou que concluiu com sucesso a primeira fase do Programa de Testes de Ciências de Voo para integrar o LRASM nos caças F-35C da Marinha dos EUA (US Navy). As avaliações, conduzidas entre setembro de 2024 e abril de 2026, examinaram o comportamento da aeronave com mísseis LRASM e Joint Air-to-Surface Standoff Missile (JASSM) instalados em suportes externos.
Ao divulgar este progresso, o vice-presidente e director-geral de Air Dominance and Strike Weapons da Lockheed Martin, Jon Hill, declarou: “Ao integrar o sistema LRASM no F-35, brindamos aos nossos combatentes uma capacidade poderosa que melhora a flexibilidade da missão e amplia as suas opções operacionais. A futura integração do LRASM na frota de F-35 aumentará as capacidades avançadas de ataque marítimo e terrestre de longo alcance do F-35, ampliando o seu conjunto de missões multifuncionais; as mesmas capacidades que já proporciona no B-1B e no F/A-18E/F”.
Valiant Shield 2026 e o reforço da guerra marítima no Indo-Pacífico
O ensaio com o bombardeiro B-2 da Força Aérea dos EUA ocorreu poucos dias depois de outro exercício de afundamento realizado durante o Valiant Shield 2026, no Mar das Filipinas. Nessa ocasião, um submarino da Força Marítima de Autodefesa do Japão (JMSDF) participou no afundamento do antigo navio anfíbio USS Juneau (LPD-10) através do lançamento de torpedos, numa operação que também incluiu ataques executados por meios navais e aéreos. Em conjunto, os dois exercícios ilustram a crescente ênfase que os Estados Unidos e os seus aliados atribuem ao reforço das capacidades de guerra marítima no Indo-Pacífico.
Imagens obtidas do Comando de Ataque Global da Força Aérea (Air Force Global Strike Command).
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