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SAIL250 no Semiquincentenário dos Estados Unidos
O ano de 2026 assinala um momento particularmente simbólico nos Estados Unidos, em plena celebração do 250.º aniversário da Independência - o Semiquincentenário. Integrado neste conjunto de comemorações, está a decorrer o SAIL250, um dos encontros de grandes veleiros (Tall Ships) e navios de guerra mais marcantes da década. O evento, reconhecido oficialmente como um Evento Marítimo de Importância Nacional (MENS, na sigla em inglês), reúne mais de 60 navios de 30 países e movimenta 50.000 tripulantes, sendo também uma plataforma para reforçar laços de amizade através da diplomacia naval e da cooperação marítima internacional.
Em 2026 cumpre-se igualmente o Semiquincentenário dos Estados Unidos (250.º aniversário). É neste enquadramento histórico que se realiza o SAIL250, considerado uma das maiores concentrações recentes de grandes veleiros (Tall Ships) e navios de guerra. O festival, formalmente classificado como um Evento Marítimo de Importância Nacional (NSME), junta mais de 60 navios de 30 nações e mobiliza 50,000 tripulantes. Para além de celebrar a herança marítima - intimamente ligada ao processo de independência do país anfitrião -, a iniciativa procura também aprofundar relações de amizade por via da diplomacia naval e da cooperação marítima internacional.
Tall Ships no SAIL250 e o destaque dos navios-escola sul-americanos
O verdadeiro centro de gravidade do SAIL250 é, sem margem para dúvidas, a imponência da frota de grandes veleiros (Tall Ships). As marinhas da América do Sul assumem aqui um papel de grande visibilidade através dos seus navios-escola: o V/E Capitán Miranda do Uruguai, o A.R.A. Libertad da Argentina, o B.A.P. Unión do Peru, o ARC Gloria da Colômbia, o B/E Guayas do Equador e o B/E Esmeralda do Chile. Esta presença sul-americana navega lado a lado com embarcações de várias partes do mundo, oriundas de países como Alemanha, França, Suécia, Índia, Polónia, Roménia, Países Baixos, Canadá e o anfitrião, os Estados Unidos - naturalmente com maior número de Tall Ships, destacando-se o USCG Eagle, navio-escola da Guarda Costeira. Entre os navios mais emblemáticos figuram ainda o NRP Sagres de Portugal, o B/E Juan Sebastián de Elcano de Espanha e o Amerigo Vespucci da Marinha Militar de Itália.
Primeira parte Sail250: Nova Orleães, Norfolk e Baltimore
A rota do SAIL250 tem dado aos navios-escola hispano-americanos a possibilidade de contacto directo com centenas de milhares de cidadãos e com delegações militares internacionais. Depois dos primeiros momentos na pitoresca e multicultural cidade de Nova Orleães, onde os grandes veleiros desfilaram no histórico rio Mississippi, a frota seguiu, a meio de Junho, para a costa da Virgínia, concentrando-se na região histórica de Hampton Roads. A cidade de Norfolk funcionou como porto anfitrião; com a maior base naval do mundo e infra-estruturas notáveis nas margens do rio Elizabeth, ofereceu um cenário particularmente adequado para acolher a comunidade marítima internacional. O ponto alto em Norfolk foi o imponente Parade of Sail (Desfile de Veleiros), no qual as embarcações sul-americanas - o A.R.A. Libertad (Argentina), o B/E Esmeralda (Chile), o BAP Unión (Peru), o ARC Gloria (Colômbia), o B/E Guayas (Equador) e o V/E Capitán Miranda (Uruguai) - içaram a sua velaria e prestaram honras formais perante as autoridades e o público reunido nas margens do rio Elizabeth. Esta demonstração de perícia marinheira prosseguiu com recepções oficiais a bordo, iniciativas culturais, visitas abertas ao público e competições desportivas, aproximando tripulações e comunidade local.
Depois da bem-sucedida escala em Norfolk, a frota manteve a navegação em conjunto pela baía de Chesapeake, rumando a norte para Baltimore e proporcionando um espectáculo visual raro às comunidades náuticas da região. Baltimore, uma importante cidade industrial do estado de Maryland, é reconhecida pela sua belíssima frente ribeirinha (waterfront); esta “jóia da cidade” mostrou-se ainda mais brilhante graças ao aparato e à decoração proporcionados pelos Tall Ships. Por ser o porto mais próximo da capital, Washington D.C., a paragem ficou marcada por uma agenda diplomática intensa: os embaixadores tiraram partido da presença dos seus navios-escola enquanto embaixadas itinerantes, com o objectivo de fortalecer laços com diferentes actores nacionais e com a comunidade internacional ali representada.
A importância estratégica de participar nestes eventos
Marcar presença num evento com a dimensão do SAIL250 tem um valor que vai muito além da formação náutica dos jovens marinheiros. Em primeiro lugar, constitui uma oportunidade de grande relevância para a interoperabilidade e a cooperação militar. Tripulações e comandos de diferentes marinhas trocam práticas e metodologias de instrução em navegação e noutras áreas, alinham procedimentos e protocolos logísticos e partilham aprendizagens sobre formas de promover dimensões culturais e projectar a imagem dos países que cada navio representa.
Em segundo lugar, estes navios desempenham o papel de autênticas embaixadas itinerantes. Num contexto geopolítico global em constante mudança, a simples presença de cada unidade reafirma o compromisso da sua bandeira na relação bilateral com o país anfitrião e, em simultâneo, facilita o reforço de relações com outros participantes. A este respeito, destacou-se a ausência dos Tall Ships das marinhas do Brasil, México e Venezuela.
Por fim, o alcance cultural e o impacto em relações públicas são difíceis de quantificar. Ao abrirem as suas cobertas em portos com a relevância dos referidos, as marinhas hispano-americanas conseguem mostrar a milhares de visitantes o orgulho, a história, a tradição e a disciplina que distinguem as suas tripulações - que, no fundo, reflectem os valores dos seus concidadãos.
Rumo a Nova Iorque: 4 de julho em Manhattan
O SAIL250 prossegue o seu percurso em águas norte-americanas e prepara-se para a grande celebração de 4 de julho na Ilha de Manhattan, Nova Iorque, com uma parada naval histórica em frente à Estátua da Liberdade.
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