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Guy Pacheco, 48 anos, é o novo presidente executivo dos CTT

Homem de negócios em fato a analisar dados no portátil à frente de janela com vista urbana e carrinhas.

Aos 48 anos, Guy Pacheco, administrador financeiro dos CTT desde 2017, foi escolhido para presidente executivo dos Correios, empresa que conta hoje com 14 mil trabalhadores e cuja faturação atingiu 1,3 mil milhões de euros em 2025.

A nomeação, que já era conhecida desde o início do ano e recolheu o apoio dos acionistas de referência - Grupo Manuel Champalimaud, Indumenta Pueri, Greenwood Investors e Grupo Sousa - ficou formalmente ratificada na assembleia geral realizada na quinta-feira passada.

Guy Pacheco e a continuidade na liderança dos CTT

A opção foi descrita internamente como consensual, refletindo uma aposta na continuidade, na experiência e no percurso já demonstrado. Integrado numa Comissão Executiva composta por apenas três elementos, Guy Pacheco conhece a organização de forma transversal: da logística associada ao negócio tradicional dos Correios ao Banco CTT, da vertente financeira às operações em Espanha e ao segmento das encomendas, que se afirmou como um dos principais motores de crescimento de uma empresa com mais de 500 anos de história.

Um financeiro, com espectro de competências alargado

Dentro da empresa, a avaliação à escolha é feita com serenidade. "Muito focado, discreto, observador e de pensamento rápido e um profundo conhecedor dos Correios", é assim que Guy Pacheco é descrito internamente. "É uma pessoa em quem confiamos", afirma um trabalhador ao Expresso.

João Bento, que esteve à frente dos CTT nos últimos sete anos, sublinha igualmente a adequação do sucessor, destacando a abrangência das suas competências. "É muito mais do que um financeiro, tem um espetro de competências muito largo, fez operações, fez transformação. Está muitíssimo bem preparado, é jovem, tem vontade e vai ser, certamente, um grande líder dos CTT", refere João Bento ao jornal Eco.

A escolha contou ainda com a concordância de João Bento, que deixa os CTT por decisão própria aos 65 anos, rumando a funções menos executivas e mais orientadas para a definição estratégica: será presidente do conselho de administração da Altri e da Lisnave.

Percurso na PT e chegada à gestão dos CTT

Antes dos CTT, Guy Pacheco passou 16 anos na PT, onde desempenhou funções associadas à transformação estratégica do setor das telecomunicações, trabalhando também temas ligados à logística e à inovação. Com a expansão da Altice em Portugal, através da compra do antigo operador histórico, foi promovido a administrador financeiro da PT Portugal (hoje MEO), cargo que ocupou entre 2015 e 2017. Nesse ano, optou por sair, por não se rever no projeto.

Já enquanto CFO dos CTT, acumulou responsabilidades como membro dos conselhos de administração das subsidiárias Banco CTT, CTT Expresso, CTT Soluções Empresariais, Newspring Services, CTT IMO – Sociedade Imobiliária e Medspring. É ainda Presidente do Conselho de Administração da CTT IMO YIELD, veículo estratégico destinado à valorização do portefólio imobiliário.

Uma mão cheia de áreas

Nos últimos anos, na qualidade de administrador financeiro e membro da Comissão Executiva, Guy Pacheco teve sob a sua alçada o planeamento e controlo dos CTT, a fiscalidade, as compras, o imobiliário, as finanças corporativas, as relações com investidores, a inovação e a Inteligência Artificial.

A intervenção, porém, não se limitou à esfera financeira. Abrangeu também a componente empresarial, a estratégia de operações e a transformação - um eixo crítico numa empresa que tem vindo a gerir o encolhimento acentuado do negócio de distribuição de correio. Detém igualmente conhecimento na área da regulação, particularmente relevante num grupo que assegura o serviço universal postal e tem uma dimensão política significativa.

Guy Pacheco traz ainda experiência ligada ao mercado de capitais, num período em que o comportamento bolsista dos CTT tem sido favorável: as ações quase triplicaram de valor desde 2019, chegaram a valer mais de €8 em 2025 e estavam a cotar a €6,41 na quinta-feira. Como membro da Direção da Associação de Emitentes de Valores Cotados (AEM), reforçou esse contacto, alicerçado também no que viveu na Portugal Telecom (PT), então uma das empresas em destaque na bolsa nacional.

É igualmente membro não executivo do Conselho de Administração da Finerge, tendo desempenhado anteriormente funções no Conselho da Sport TV, entre outras. Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, começou a carreira como consultor na então Arthur Andersen.

CTT em crescimento: Espanha, Banco CTT e a aposta nas encomendas

O novo presidente executivo assume a liderança de uma empresa em trajetória de crescimento, com presença consolidada em Espanha e com ambição internacional. O Banco CTT apresenta-se rentável e conta com um novo acionista relevante, a Generali. Paralelamente, o grupo está cada vez mais orientado para o segmento das encomendas, que representa hoje quase metade das receitas (€626 milhões).

Em 2025, os CTT registaram aumentos a dois dígitos nas receitas e nos lucros: o resultado líquido subiu para 50,7 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento de 11,4% face a 2024, e os rendimentos operacionais avançaram 16,3% para 1,288 mil milhões de euros, um máximo histórico. O ano ficou também marcado pela parceria com a DHL para o mercado da Península Ibérica.

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