A União Europeia (UE) enfrenta um momento de forte pressão. Com a data-limite de 1 de agosto, definida por Donald Trump, presidente dos EUA, a aproximar-se, Bruxelas tenta fechar rapidamente um entendimento com Washington antes de entrarem em vigor novas tarifas sobre automóveis importados.
O ponto central do conflito é a possibilidade de serem aplicadas tarifas de 50% às importações provenientes da União Europeia. Desde março, os EUA aplicam tarifas adicionais de 50% ao aço e ao alumínio vindos de Bruxelas, 25% aos automóveis e 10% a todas as importações da UE, além das taxas habituais.
Neste contexto, a UE tem mantido negociações com a Casa Branca para um pacote que poderá combinar reduções tarifárias, quotas de importação e até um mecanismo de créditos aduaneiros para construtores que produzam em território norte-americano, segundo avançou a Reuters com base em fontes próximas do processo.
O que está a ser proposto?
Uma das propostas em discussão assenta num sistema de créditos: quanto maior for o número de veículos que um construtor europeu exportar a partir das suas fábricas nos EUA para outros mercados, maior será o montante que poderá importar da Europa para os EUA com tarifas mais baixas - ou mesmo com isenção.
Ainda assim, esta não é a única opção em cima da mesa. Uma outra fonte indicou que uma alternativa poderá seguir o modelo recentemente negociado entre o Reino Unido e os EUA: reduzir a tarifa aplicada aos automóveis britânicos de 27,5% para 10%, mas apenas até ao limite de 100 mil veículos por ano. Depois de ultrapassado esse patamar, volta a aplicar-se a tarifa agravada de 25% (a que se somam os 2,5% da taxa base).
Além disso, equaciona-se também uma redução recíproca das tarifas de importação para aproximar os níveis de ambos os lados. Neste momento, os automóveis europeus entram nos EUA com uma tarifa de 27,5%, enquanto os automóveis americanos que chegam à UE pagam apenas 10%.
Apesar da intensidade do esforço diplomático, os avanços têm sido limitados. Fontes europeias referem divergências internas entre os Estados-Membros sobre a estratégia a adotar e, do lado norte-americano, também não se observa um consenso claro. A Comissão Europeia pretendia garantir um entendimento político até 9 de julho, mas, até à data de publicação deste artigo, não foi comunicada qualquer decisão.
Quem ganha e quem perde?
Entre os construtores que mais poderiam beneficiar das medidas em negociação - sobretudo da proposta de créditos associados à produção - destacam-se a BMW e a Mercedes-Benz, que operam grandes unidades industriais nos EUA e exportam uma fatia relevante do que produzem localmente.
Em sentido oposto, marcas como a Volkswagen e a Porsche, com exportações reduzidas ou inexistentes a partir de fábricas norte-americanas, teriam ganhos limitados com este modelo. A Volkswagen está a ponderar construir uma fábrica local para a Audi, enquanto a Porsche importa todos os seus modelos a partir da Europa.
A Volvo, com uma dependência elevada de importações europeias para abastecer o mercado dos EUA, seria uma das mais penalizadas, apesar de ter planos para reforçar a produção local na sua fábrica no estado da Carolina do Sul.
Já a Stellantis, com produção sobretudo localizada nos EUA e com fluxos comerciais relativamente pequenos entre EUA e UE, sentiria um impacto reduzido desta medida. A principal fragilidade está nas tarifas que possam vir a ser aplicadas ao México e ao Canadá, onde fabrica cerca de 40% dos seus veículos destinados à América do Norte.
Em 2024, a Europa exportou cerca de 758 mil carros para os EUA, num valor de 38,9 mil milhões de euros. De acordo com dados da ACEA (Associação Europeia de Construtores Automóveis), trata-se de um volume quatro vezes superior ao exportado para qualquer outro país.
E caso não entrem em consenso?
Se a UE e os EUA não conseguirem chegar a acordo sobre as tarifas comerciais, Bruxelas já aprovou tarifas sobre cerca de 21 milhões de euros em produtos dos EUA, prontas a avançar a qualquer momento.
Para além disso, existe ainda uma lista adicional de 95 milhões de euros, que inclui aviões da Boeing, automóveis produzidos nos EUA (inclui vários modelos da BMW e da Mercedes-Benz) e Bourbon, soja, frango, motociclos, entre outros produtos.
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