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Dia da Armada Argentina: 212.º aniversário do Combate Naval de Montevideu em Puerto Belgrano e o reequipamento

Oficial da marinha em uniforme branco a discursar junto a um porto com navios militares ao fundo.
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Celebração do Dia da Armada Argentina na Base Naval Puerto Belgrano

No dia de ontem, 17 de maio, assinalou-se o Dia da Armada Argentina, no âmbito das comemorações do 212.º aniversário do Combate Naval de Montevideu. A cerimónia principal decorreu na Base Naval Puerto Belgrano e contou como oradores centrais com o Ministro da Defesa, Tenente-General Carlos Alberto Presti; o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Comércio Internacional e Culto, Pablo Quirno; e o Chefe do Estado-Maior-General da Armada, Almirante Juan Carlos Romay.

Para além das intervenções protocolares, nas quais as autoridades reconheceram o trabalho diário de homens e mulheres da Armada Argentina no Mar Argentino, o encontro em Puerto Belgrano voltou a servir de momento para sublinhar - e recolocar no centro das prioridades da jurisdição - a necessidade de reequipamento e modernização da Força Naval.

Declarações de Pablo Quirno e a ligação entre política externa e defesa no mar

Nesse sentido, as palavras do chanceler Pablo Quirno foram elucidativas, ao afirmar no seu discurso que: “Uma nação marítima não pode delegar o seu destino. Deve conhecer o seu mar, ocupar o seu espaço, defender os seus interesses e agir com previsibilidade, temperança e determinação. Aí surge uma convergência essencial entre a Armada, o Ministério da Defesa e a Chancelaria - acrescentou -. A política externa e a defesa nacional encontram-se de forma natural no mar. Encontram-se na governação oceânica, na luta contra a pesca ilegal, na protecção da vida humana, nas missões de paz, na assistência humanitária, na presença efectiva no Atlântico Sul, na actividade antárctica e na tutela dos nossos direitos soberanos”.

A urgência do reequipamento da Armada Argentina, segundo Juan Carlos Romay

Por sua vez, o Chefe da Armada Argentina, Almirante Juan Carlos Romay, adoptou um tom mais assertivo ao indicar no seu pronunciamento que: “A Armada Argentina tem a missão primordial de proteger esses vastos espaços marítimos e fluviais de jurisdição e interesse nacional. Por isso aspiramos a recuperar capacidades navais e submarinas, que contribuam para optimizar essa missão na imensidão dos nossos mares.”

Acrescentou ainda: “Contamos para isso com o firme apoio do Ministério da Defesa e com novos instrumentos recentemente promulgados pelo governo nacional para a adequação e o reequipamento militar argentino, o que nos gera expectativas positivas quanto à efectiva possibilidade de recuperação das capacidades de que a nossa Instituição necessita”, numa referência aos novos planos impulsionados pelo governo nacional.

Submarinos e meios de superfície: lacunas operacionais e envelhecimento da frota

Ainda assim, para lá do plano discursivo - e tal como apontou o Almirante Romay -, a Armada Argentina precisa, de forma urgente e inadiável, de renovar praticamente os seus principais meios de superfície, ao mesmo tempo que necessita de reconstituir as capacidades submarinas. Estas encontram-se hoje limitadas a uma única unidade, o ARA Salta, utilizada apenas para tarefas de treino e formação em porto, dado não estar em condições de navegar.

Neste momento, já a meio do terceiro ano de gestão, a Armada Argentina parece estar em segundo plano nas prioridades de reequipamento do Ministério da Defesa, que tem concentrado os seus esforços sobretudo na incorporação dos 24 caças F-16 para a Força Aérea e dos VCBR 8×8 M1126 Stryker.

A questão é tudo menos secundária: a recuperação de capacidades navais, tanto de superfície como submarinas, exige investimentos sustentados ao longo do tempo - não apenas na aquisição -, mas também num conjunto alargado de capacidades associadas, desde o treino até à infra-estrutura naval necessária para garantir sustentação e manutenção adequadas.

Sem novidades de relevo, e repetindo um padrão observado em administrações anteriores de diferentes orientações políticas, os projectos destinados a recompor as capacidades navais do país continuam a ser sucessivamente adiados, na expectativa de um contexto mais favorável que tarda em concretizar-se. Como único marco recente, destaca-se a assinatura de uma Carta de Intenção com a França que, por se tratar apenas de um documento não vinculativo, estabelece um precedente de interesse e o início formal de conversações, centradas sobretudo no financiamento como prioridade principal.

Entretanto, a frota de superfície - formada por destróieres MEKO 360 e MEKO 140 - começa a evidenciar de forma clara o desgaste do tempo. Acresce que os programas de modernização que deveriam ter sido iniciados há anos deixam de ser exequíveis se não for enfrentada a questão da motorização dos navios, em particular na classe Almirante Brown.

O único avanço concreto alcançado no âmbito do reequipamento da Armada Argentina foi a aquisição de quatro helicópteros navais AW109M à empresa italiana Leonardo, destinados a substituir os AS-555 Fennec, para operação embarcada nos patrulheiros oceânicos comprados à França anos antes.

Por fim, concluídas as comemorações do 212.º aniversário do Combate Naval de Montevideu, a Armada Argentina - a partir das suas chefias e do seu pessoal - necessita de uma mudança de rumo que quebre a tendência e a transição marcadas pela perda sistemática de capacidades e que inaugure uma nova etapa de regeneração, permitindo dispor de uma força naval à altura dos desafios do século XXI impostos pelo Atlântico Sul e pelo mundo.

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