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Desdobramento do sistema de mísseis Typhon do Exército dos Estados Unidos no Japão provoca reacções da Rússia e da China

Soldado japonês em uniforme camuflado opera equipamento militar perto do mar e casas com bandeira do Japão.

A preparação para o desdobramento do novo sistema de mísseis Typhon do Exército dos Estados Unidos (USAF) em território do Japão desencadeou uma forte reacção geopolítica na Ásia. Rússia e China afirmaram publicamente que a instalação destas plataformas constitui uma ameaça directa à segurança nacional de ambos os países e à estabilidade regional. Porta-vozes dos ministérios dos Negócios Estrangeiros em Moscovo e em Pequim abordaram o tema recentemente, enquadrando-o como mais um passo numa militarização crescente do Indo-Pacífico impulsionada por Washington e pelos seus aliados locais.

Onde e quando será posicionado o sistema de mísseis Typhon no Japão

Segundo notícias divulgadas pela imprensa japonesa, o desdobramento do moderno sistema de mísseis Typhon deverá ocorrer na Base Aérea de Kanoya, localizada na província de Kagoshima. As forças norte-americanas tencionam operar nesta instalação entre julho e setembro, prevendo igualmente a colocação de uma bateria de sistemas de artilharia HIMARS.

O propósito central desta missão conjunta passa por conduzir vários exercícios tácticos com as forças do país anfitrião, com o objectivo de evidenciar as capacidades operacionais das duas plataformas de combate.

Reacções oficiais de Moscovo e Pequim

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, expôs oficialmente as preocupações profundas do governo russo relativamente à presença do sistema de mísseis Typhon em solo japonês. A responsável declarou textualmente: “Chamámos repetidamente a atenção de Tóquio para o facto de acreditarmos que a decisão do Japão de permitir que os Estados Unidos desdobrem os seus sistemas de mísseis de médio e curto alcance no país terá um grave impacto negativo na estabilidade e na segurança na região da Ásia-Pacífico e criará uma ameaça direta ao longo das nossas fronteiras do Extremo Oriente, independentemente de ser feito de forma ocasional, rotativa ou permanente (…) já que inevitavelmente as consideraremos medidas deliberadas e hostis que ignoram os interesses nacionais da Rússia.”

Avaliação de riscos e resposta prevista pela Rússia

Zakharova acrescentou ainda que o Ministério da Defesa da Rússia já está a analisar, de forma detalhada, os riscos estratégicos associados a este novo cenário militar. A porta-voz confirmou também que Moscovo pretende avançar com um desdobramento militar recíproco, como resposta, para assegurar o equilíbrio de poder na região asiática.

O anúncio oficial dessas medidas de contrapeso deverá surgir num futuro próximo, após a conclusão da respectiva avaliação técnica pelas autoridades competentes do sector da defesa.

Por sua vez, o porta-voz do governo chinês, Guo Jiakun, apresentou uma posição alinhada com a de Pequim quanto ao risco que o sistema de mísseis Typhon representa para o continente. O representante afirmou: “O sistema de mísseis Typhon é uma arma ofensiva estratégica que mina os legítimos interesses de segurança de outros países, ameaça a segurança estratégica regional e aumenta o risco de confronto militar e de uma corrida armamentista.” Acrescentou ainda que a autorização de Tóquio integra um “neomilitarismo” promovido pelo governo sob a liderança de Sanae Takaichi.

Tensões locais e precedentes históricos

O porta-voz chinês frisou igualmente a existência de oposição por parte de outros países vizinhos e referiu as queixas de cidadãos japoneses que vivem nas proximidades das bases militares envolvidas. Há pouco tempo, a província de Kumamoto viveu problemas semelhantes devido ao posicionamento do moderno sistema antinavio japonês Tipo 12 no acampamento de Kengun. O governo local desta unidade administrativa enviou protestos formais a Tóquio por falta de notificação prévia, enquanto residentes organizaram manifestações por recearem que a zona se transforme num alvo militar legítimo.

O contexto actual também não é a primeira experiência de desdobramento do sistema de mísseis Typhon na região, já que existem antecedentes comparáveis na agenda internacional recente. Em novembro de 2025, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão esclareceu formalmente que estas plataformas de defesa não constituíam uma ameaça específica para qualquer Estado soberano em particular. Nessa ocasião, as autoridades japonesas reiteraram que as actividades previstas para os meses seguintes têm natureza temporária e não modificam o equilíbrio estratégico regional.

Imagens meramente ilustrativas.

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