A Grécia está a avançar com a modernização das fragatas da classe Hydra em parceria com a Thales, no âmbito de um acordo estratégico assinado com a empresa francesa e com os seus parceiros industriais na Grécia. Para a Marinha Helénica (HN), este é o primeiro passo decisivo rumo a uma modernização de meia-vida de uma frota que entrou ao serviço durante a década de 1990. Num contexto em que a manutenção passou a ser uma prioridade institucional, o objectivo é assegurar a continuidade operacional da componente de superfície nos próximos anos. Em paralelo, a força naval reforça-se com as fragatas FDI construídas pela Naval Group e com unidades FREMM disponibilizadas pela Marinha Militar (MM) italiana.
Integração do TACTICOS e renovação de sistemas
O acordo agora anunciado centra-se na instalação da versão mais recente do Sistema de Gestão de Combate TACTICOS nas fragatas helénicas MEKO. Esta evolução tecnológica deverá traduzir-se num salto qualitativo relevante, assente num sistema já adoptado e testado por outros países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). Com a nova arquitectura electrónica, a Marinha pretende reunir armas e sensores numa única rede digital de defesa.
Além do TACTICOS, o pacote prevê a introdução de um novo sistema de guerra electrónica e a actualização das comunicações para soluções mais avançadas do que as actuais. No plano industrial, os estaleiros Skaramangas ficarão responsáveis pela desmontagem dos componentes antigos à medida que forem substituídos.
Tecnologia de radares e novos sensores
Entre os pontos mais determinantes da modernização está a instalação de novos radares AESA NS100, definidos por software. Este sistema deverá oferecer a cada navio da classe Hydra uma consciência situacional superior a médias e longas distâncias no ambiente marítimo. A melhoria esperada terá um efeito directo e positivo na eficácia prática do armamento de mísseis e da artilharia das fragatas MEKO 200.
Em complemento, estes meios irão operar em conjunto com os novos radares STIR 1.2 EO MK2 a instalar a bordo. A Thales descreve-os como radares de dupla frequência, integrando soluções laser e infravermelhas para aumentar a precisão no controlo de tiro.
Vincent Megaides, Diretor Nacional para a Grécia, Chipre e Malta da Thales, manifestou-se formalmente sobre o progresso do contrato assinado: “A nossa longa colaboração com as forças armadas helénicas reflete uma sólida base de confiança e compromisso mútuos. Nos orgulha ter sido selecionados para esta modernização de meia-vida, que integrará a tecnologia avançada da Thales no sistema de missão da classe de fragatas Hydra, melhorando assim as capacidades da Marinha da Grécia. Esta nova base operativa, construída em torno da última versão do Sistema de Gestão de Combate TACTICOS, servirá de referência para as futuras capacidades da Marinha Helénica. Em estreita colaboração com a indústria local e os nossos parceiros, nos comprometemos a garantir uma preparação operativa constante.”
Prazos do projecto e cooperação internacional
No comunicado oficial, a empresa francesa não divulgou a informação financeira relativa ao investimento efectuado pela Direção-Geral de Investimentos e Armamento de Defesa da Grécia (GDDIA). O texto corporativo também não apresentou metas concretas quanto ao calendário necessário para concluir os trabalhos nos estaleiros.
Ainda assim, apesar da ausência de dados oficiais, analistas gregos indicaram que a primeira fragata modernizada poderá ser entregue à Marinha Helénica em 2028. Esta referência temporal tem sido destacada pela imprensa especializada como um objectivo particularmente ambicioso para a indústria local. No total, a frota - actualmente composta por quatro navios - deverá ficar concluída durante a primeira metade da próxima década.
Impacto na frota e outros programas navais
Em paralelo com a modernização das fragatas, a Marinha da Grécia está igualmente a avaliar a compra de novos submarinos Blacksword Barracuda junto da Naval Group. Este potencial negócio volta a evidenciar a relação estreita que Atenas e Paris mantêm, actualmente, no domínio da defesa. A força naval procura um substituto eficaz para os seus submarinos mais antigos Tipo 209, de origem alemã, que hoje operam como complemento dos modernos Tipo 214 em serviço activo no Mar Mediterrâneo.
Imagens apenas para fins ilustrativos.
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