O britânico Andy Burnham reuniu o respaldo de cerca de 87% dos deputados do Partido Trabalhista no processo de seleção do novo líder, deixando praticamente sem espaço a entrada de um rival na corrida.
Apoio parlamentar de Andy Burnham no Partido Trabalhista
Segundo números divulgados pelo partido esta segunda-feira, o antigo presidente da Câmara de Manchester garantiu 349 apoios entre os 403 deputados trabalhistas. Este total representa mais 27 do que os 322 já contabilizados desde a abertura formal das candidaturas, na quinta-feira.
Para que uma candidatura à liderança do Labour seja validada, a regra inicial exige o apoio de pelo menos 20% do grupo parlamentar, o que corresponde a 81 deputados.
“Entronização” e desistências dos potenciais concorrentes
O desfecho de "entronização" - ou "coroação", como lhe chama a comunicação social britânica - era visto como altamente provável, uma vez que os principais nomes apontados como possíveis adversários foram saindo de cena desde o regresso de Burnham ao Parlamento. Esse regresso aconteceu depois de ter vencido uma eleição legislativa parcial em 18 de junho.
O antigo ministro da Saúde Wes Streeting, o ex-secretário de Estado da Defesa Al Carns e o atual secretário de Estado para as Relações Intergovernamentais, Darren Jones, optaram por não avançar e declararam apoio a Burnham, procurando assim evitar que o partido entrasse num debate interno longo.
Prazos, confirmação e regras do sistema parlamentar britânico
O período de nomeações prolonga-se até 16 de julho, pelo que Burnham deverá ser formalmente confirmado como líder trabalhista no dia seguinte. A tomada de posse como primeiro-ministro deverá ocorrer após uma audiência com o rei Carlos III, marcada para 20 de julho.
No modelo parlamentar britânico, é possível substituir o líder do partido no poder e, por consequência, o primeiro-ministro, sem convocar eleições legislativas. O próximo sufrágio nacional apenas terá de realizar-se até 2029.
Keir Starmer anunciou no mês passado que deixaria o cargo assim que fosse escolhido um sucessor, ao fim de cerca de dois anos à frente do Governo, um período marcado por decisões controversas que enfraqueceram a sua posição política.
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