Saltar para o conteúdo

Governo das Honduras acusa o Irão de "apreensão ilegal" de navio cargueiro de bandeira hondurenha em águas de Omã

Tripulação com coletes laranja em navio observa embarcação militar e navio cargueiro num porto com bandeira de Honduras.

As autoridades das Honduras responsabilizaram o Irão pela "apreensão ilegal" de um navio cargueiro com bandeira hondurenha em águas de Omã, embarcação que se encontra atualmente no porto iraniano de Bandar Abbas.

Interceção do Hui Chuan ao largo de Omã

Num comunicado divulgado na sexta-feira, a Direção-Geral da Marinha Mercante (DGMM) das Honduras informou que o episódio ocorreu na véspera e envolveu o Hui Chuan, navio registado no porto de San Lorenzo, no sul do país.

Segundo a marinha, a embarcação foi intercetada por unidades associadas às forças iranianas a cerca de 38 milhas náuticas (70 quilómetros) a nordeste de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.

A DGMM acrescentou, com base em dados preliminares fornecidos pela armadora chinesa, que a comunicação por satélite foi posteriormente interrompida e que o Sistema de Identificação Automática do navio foi desligado.

As Honduras disseram existirem sinais de uma "possível violação da jurisdição marítima", sustentando que as forças envolvidas terão entrado em águas de Omã "sem autorização" para rebocar o navio até um porto iraniano.

"A República das Honduras, enquanto Estado de bandeira, é uma vítima colateral da complexa situação geopolítica e do conflito regional que atualmente assola o Médio Oriente, circunstâncias que escapam ao controlo e à vontade do Estado hondurenho", refere o comunicado.

Tripulação, destino e diligências em Bandar Abbas

A DGMM confirmou que a tripulação é composta por 17 pessoas: dez cidadãos do Nepal, três de Myanmar (antiga Birmânia), três do Vietname e uma do Sri Lanka.

De acordo com a nota oficial, o navio já chegou ao porto de Bandar Abbas, no sul do Irão, e a situação a bordo é estável.

As autoridades iranianas indicaram que irão proceder a inspeções documentais e de conformidade antes de avaliarem a libertação da embarcação.

As Honduras asseguraram que mantêm contacto permanente com os proprietários do navio e com a armadora, com o objetivo de viabilizar a libertação imediata da embarcação e garantir a segurança dos tripulantes.

Contexto no estreito de Ormuz e novos protocolos iranianos

O Irão impôs um bloqueio quase total no estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa habitualmente um quinto do petróleo e do gás natural consumidos em todo o mundo, em reação à ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.

Na quinta-feira, a agência de notícias iraniana Tasmin noticiou que as forças navais do Irão autorizaram a passagem de vários navios chineses pelo estreito de Ormuz.

Na sexta-feira, a televisão estatal iraniana afirmou que o país tinha permitido a passagem de mais de 30 navios pelo estreito de Ormuz nas 24 horas anteriores.

A medida "indica que muitos países aceitaram os novos protocolos jurídicos que o Irão e as forças navais dos Guardas da Revolução estabeleceram no estreito de Ormuz", acrescentou um jornalista da televisão estatal, a partir de Bandar Abbas.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário