A estratégia política seguida pelo presidente norte-americano está a esbarrar na realidade dos números.
Défice comercial dos Estados Unidos em 2025: números que apertam
1241 mil milhões de dólares em 2025, o que representa uma subida de 2,1 % face ao ano anterior. Os dados divulgados esta quinta-feira pelo Departamento do Comércio dos EUA sobre o défice comercial dos Estados Unidos têm tudo para causar inquietação a Donald Trump e à sua administração.
As tarifas de Donald Trump e o “Dia da Libertação”
É impossível não recordar o dia 2 de abril de 2025, rebatizado de “Dia da Libertação”, quando o presidente chamou os jornalistas para formalizar o arranque das suas famosas “tarifas”: direitos aduaneiros muito elevados, apresentados como um instrumento para reequilibrar as trocas comerciais entre o Tio Sam e os seus parceiros.
Quase um ano depois, chega o momento de um primeiro balanço - e está longe de ser favorável. Na prática, a abordagem não trouxe a mudança prometida. Mais do que isso, parece ter contribuído para piorar o cenário, já que, como detalha o Figaro, as importações de bens avançaram de forma significativa em 2025 nos Estados Unidos, atingindo 3428 mil milhões de dólares. O mesmo movimento verificou-se nos serviços, que chegaram aos 895 mil milhões de dólares.
Importações e exportações: bens, serviços e sectores em destaque
Do lado das exportações, os EUA apresentam números globalmente sólidos: 2197 mil milhões de dólares em bens e 1235 mil milhões de dólares em serviços. Este desempenho é apoiado sobretudo pelos bons resultados da indústria aeronáutica, dos produtos farmacêuticos e do sector da energia, mas ainda assim não chega para equilibrar a balança comercial.
Há também um dado curioso: apesar de Donald Trump ter criticado com dureza vários Estados europeus, acusando-os de tirarem partido da generosidade dos Estados Unidos, o défice comercial norte-americano aumentou para 218,8 mil milhões de dólares no ano passado e está especialmente concentrado em países como a França, a Itália, a Alemanha e a Irlanda.
Ainda assim, importa relativizar o alcance destes números no que toca ao seu impacto na economia norte-americana. Por agora, este défice não se traduziu num efeito claro sobre o crescimento, em particular devido aos investimentos muito elevados registados no campo da inteligência artificial generativa.
O analista Troy Durie, da Bloomberg Economics, sintetiza a situação desta forma:
"O relatório comercial de dezembro permite-nos estimar que as exportações líquidas contribuíram pouco para o crescimento do PIB real do quarto trimestre. Em linha com outros dados recentes, as importações de bens de equipamento - nomeadamente os produtos ligados à IA - continuaram a evidenciar um investimento interno sustentado no final do ano."
Uma decisão do Supremo Tribunal esta sexta-feira?
As atenções viram-se agora para o Supremo Tribunal, que poderá pronunciar-se já esta sexta-feira, embora nada o obrigue a fazê-lo, e confirmar - ou não - o poder de Donald Trump para impor estes direitos aduaneiros massivos ao abrigo de uma lei de emergência, como tem feito desde o ano passado. Se o presidente for derrotado, as consequências serão significativas, e ele já avisou que seria difícil para o Governo federal devolver os montantes pagos pelas empresas.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário