As tarifas aduaneiras adicionais de 25% decretadas por Donald Trump, presidente dos EUA, estão já a provocar efeitos claros e imediatos na entrada de automóveis importados no país.
Segundo dados da Descartes Datamyne, citados pela Automotive News, o volume de veículos transportados por via marítima para os EUA caiu 72,3% em maio, em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Esta descida acentuada corresponde a menos 9380 contentores TEU (unidade equivalente a 20 pés, cerca de seis metros). No transporte automóvel, cada contentor TEU consegue levar um veículo.
Para os analistas, o recuo confirma o impacto das tarifas de 25% em vigor desde abril sobre automóveis importados, levando marcas e importadores a adiar carregamentos ou a redirecionar fluxos. “É quase impossível concluir outra coisa. Estamos a ver os efeitos diretos das tarifas refletidos no volume de importações”, afirmou Jackson Wood, da Descartes Systems Group.
Impacto desigual nas diferentes categorias
Apesar de a maior quebra se verificar nos automóveis «inteiros», também o segmento das peças e componentes sentiu o efeito: em maio, a importação de componentes para os EUA caiu 14,8% face ao período homólogo.
Ainda assim, convém recordar que as tarifas de 25% aplicadas a determinados componentes automóveis - motores, transmissões, componentes elétricos, entre outros - só entraram em vigor a 3 de maio, após um período em que houve esforço para reforçar os stocks nas semanas anteriores. Por isso, o impacto poderá revelar-se mais elevado neste mês.
Em contraciclo, a importação de carroçarias destinadas a veículos específicos subiu 18%, constituindo uma exceção à tendência dominante.
Importa igualmente sublinhar que estes números não incluem as importações por via terrestre provenientes do Canadá e do México, uma vez que se concentram apenas no transporte marítimo - sobretudo a partir da Europa e da Ásia, os principais exportadores de veículos para os EUA.
O que os construtores estão a fazer
Perante o novo enquadramento tarifário, vários construtores - em particular europeus e asiáticos - estão a interromper temporariamente as exportações para os EUA, à espera de condições mais favoráveis.
Ao mesmo tempo, o setor mantém-se atento ao processo de reembolso de tarifas anunciado por Trump, destinado aos fabricantes com produção local.
Já os construtores norte-americanos - Ford, General Motors e também a Stellantis -, bem como os grupos com fábricas nos EUA, ficam mais resguardados do choque imediato. “Têm uma pegada industrial maior do que muitos concorrentes europeus e asiáticos, o que lhes permite uma maior flexibilidade”, afirmou Steve Man, analista da Bloomberg Intelligence.
Um alívio parcial
Em maio, Trump anunciou um acordo com o Reino Unido que permite a entrada de até 100 mil automóveis por ano nos EUA com uma tarifa reduzida de 10%. Ainda assim, para a generalidade dos fabricantes - sobretudo os que não têm produção local - as tarifas continuam a ser um entrave significativo.
Entretanto, os concessionários continuam a vender os automóveis importados antes da entrada em vigor das tarifas, mantendo os preços praticados anteriormente. Apesar disso, os valores já começaram a subir: em abril, registou-se um aumento homólogo de 0,3%, de acordo com o Federal Reserve Bank de St. Louis.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário