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Ouigo: bilhetes até 119 euros e o quase fim dos preços baixos

Homem sentado numa estação de comboios a usar telemóvel e portátil, com um comboio rosa em fundo.

Os tempos dos bilhetes Ouigo a preços ridiculamente baixos estão (quase) a chegar ao fim.

A promoção “congelada” e a nova fasquia dos preços

Esta semana, quem anda sempre à caça de bons negócios dificilmente terá deixado passar a promoção “congelada” da Ouigo. Nos dias 6 e 7 de janeiro de 2026, mais de 300 000 bilhetes estiveram à venda por apenas 19 euros - uma oportunidade ideal para marcar uma próxima escapadinha e fugir à rotina do dia a dia. A campanha tornava-se ainda mais tentadora por a marca low-cost da SNCF praticar, por vezes, preços tão baixos que chegam a parecer quase irreais.

Basta, no entanto, olhar para a versão mais recente da grelha tarifária da Ouigo para ficar surpreendido: um bilhete pode agora chegar aos 119 euros. Trata-se de uma estreia para a empresa, já que, até há pouco, o valor máximo estava limitado a 99 ou 109 euros.

Ouigo: somas astronómicas

A operadora defende-se, garantindo que não alterou recentemente a sua grelha de preços, e afirma que, em 2025, alguns comboios - muito poucos - já exibiam este valor. Ainda assim, a nova tabela indica que 76 ligações (como Paris–Toulon ou Lille–Avignon) passam a poder ser afetadas por este preço considerado exorbitante.

O diretor da Ouigo, Jérôme Laffon, procura tranquilizar e afirma que “isso só diz respeito a casos muito particulares, a uma quantidade extremamente limitada de comboios dos 22 000 [que eles fazem] circular todos os anos”. Acrescenta que se trata de serviços em dias de procura muito elevada, como partidas para férias em fevereiro ou no verão, ou durante fins de semana prolongados de maio.

TGV Inoui vs. Ouigo: quando o low-cost deixa de compensar

Na prática, as reservas estão atualmente abertas até 3 de julho e apenas dez comboios surgem com a tarifa de 119 euros. O Le Parisien dá como exemplo um comboio a sair da capital com destino ao vale da Tarentaise, nos Alpes, em pleno período de férias de inverno para os parisienses, sublinhando que não é exatamente a proposta mais vantajosa - o que acaba por ser paradoxal para uma companhia low-cost. Neste momento, é possível embarcar num TGV Inoui por 114 euros e, para quem tem o cartão de desconto Avantage, até poupar algum dinheiro.

Em sua defesa, Jérôme Laffon invoca o “yield management”, muito utilizado no setor, argumentando que os bilhetes Inoui irão inevitavelmente encarecer à medida que a data de partida se aproximar e os comboios se forem compondo.

FNAUT: aumentos de 73% entre 2017 e 2023

Apesar disso, o presidente da Federação nacional das associações de utilizadores dos transportes (FNAUT), François Delétraz, chama a atenção para o facto de, entre 2017 e 2023, um bilhete Ouigo ter subido 73%, enquanto, no caso da Inoui, o aumento de preços ficou-se pelos 4%. “Nada indica que não venha a aumentar ainda mais nos próximos anos”, conclui.

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