A Nintendo of America decidiu enfrentar o governo Trump em tribunal. A empresa avançou com uma acção judicial relacionada com os direitos aduaneiros, defendendo que a situação lhe causou perdas financeiras associadas ao lançamento da Switch 2. No total, mais de 1000 empresas nos Estados Unidos apresentaram queixas semelhantes.
A Nintendo é conhecida por recorrer com frequência à via judicial - algo que se tornou até motivo de piada online. Desta vez, porém, o tema é mais sério. Segundo o Aftermath, a Nintendo of America, filial norte-americana do grupo japonês, apresentou uma queixa contra o governo dos EUA, juntando-se a mais de mil empresas que pedem compensações à administração Trump.
Nintendo of America leva os direitos aduaneiros do governo Trump a tribunal
O conflito centra-se nos direitos aduaneiros impostos pelo presidente norte-americano. A Nintendo baseia-se no facto de o Supremo Tribunal ter anulado os chamados “tarifários recíprocos” para avançar com o processo. Na óptica da empresa, estas medidas afectaram de forma significativa a estreia da Switch 2 e provocaram prejuízos elevados.
O lançamento da Switch 2 foi envenenado pelos direitos aduaneiros
Vale a pena recuar um pouco. Em abril de 2025, Donald Trump anunciou novos tarifários aduaneiros, desencadeando uma guerra comercial sem precedentes com parceiros internacionais. Foram introduzidos direitos universais de 10%, a que se somaram direitos recíprocos. Assim, o Japão passou a ser taxado a 24%, Taiwan a 32% e a China a 34% (sem contar com as negociações particularmente duras que se seguiram e que fizeram disparar as taxas). Esta instabilidade acabou por marcar negativamente o arranque de vida da Switch 2, anunciada pela Nintendo no mesmo período.
Para elevar os direitos aduaneiros de forma arbitrária, Donald Trump apoiou-se numa interpretação bastante flexível de uma lei de 1977: a International Emergency Economic Powers Act (IEEPA). Esta legislação permite ao presidente regulamentar transacções em caso de emergência nacional. No entanto, o Supremo Tribunal acabou por chumbar a decisão, defendendo que, além de a emergência não estar devidamente fundamentada, a lei não podia ser aplicada à imposição de direitos aduaneiros. Na prática, os direitos recíprocos deixaram de ser válidos.
Pré-encomendas adiadas e uma indústria em alerta em 2025
Na sequência desta decisão e da turbulência que se instalou, várias empresas norte-americanas consideram ter sido prejudicadas. No caso da Nintendo, por exemplo, a empresa viu-se obrigada a adiar as pré-encomendas da Switch 2 (de 9 de abril para 24 de abril de 2025), devido à incerteza em torno dos tarifários. Como a Nintendo indicou ao Aftermath:
"Esta acção diz respeito à implementação e à administração, por parte dos réus, de medidas comerciais ilegais que, até à data, permitiram cobrar mais de 200 mil milhões de dólares em direitos aduaneiros sobre importações provenientes de quase todos os países"
A empresa de Quioto não revelou mais pormenores sobre o processo, nem especificou que valores pretende reclamar. Ainda assim, estes episódios não impediram o êxito da Switch 2, que já ultrapassou os 17 milhões de unidades vendidas. As acções colectivas também parecem ter poucas hipóteses de resultar num reembolso, uma vez que o Tribunal do Comércio indicou que, por agora, não dispõe de meios para o efectuar.
Ao longo de 2025, a questão dos direitos aduaneiros inquietou praticamente todos os fabricantes. Um exemplo: quando a Xbox ROG Ally foi apresentada na Gamescom, a Asus não avançou com o preço nesse momento. A empresa explicou-nos que as alterações constantes tornavam a definição de preços difícil, já que tudo podia mudar de um instante para o outro. O valor acabou por ser anunciado dois meses mais tarde, mesmo antes do lançamento. E os fabricantes continuam longe de estar descansados, porque, agora, é a crise da RAM e a guerra no Médio Oriente que estão a provocar novas perturbações significativas no mercado.
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