O CUPRA Tavascan tornou-se o primeiro automóvel elétrico fabricado na China a ficar isento das tarifas adicionais impostas pela União Europeia aos veículos elétricos produzidos em território chinês. Esta decisão marca um momento decisivo no braço de ferro comercial em torno destes automóveis.
Desde 2024, estes modelos passaram a estar sujeitos a uma tarifa compensatória adicional que, no caso do Tavascan, chegava aos 20,7%. Este encargo acrescia aos 10% de direitos aduaneiros já em vigor, aumentando de forma significativa o custo de importação para o mercado europeu.
Entretanto, a Comissão Europeia deu luz verde ao pedido apresentado pela Volkswagen (Anhui) Automotive Co., uma unidade do Grupo Volkswagen. Na prática, isto permite que o CUPRA Tavascan seja vendido na UE por um valor igual ou superior a um preço mínimo de importação, cujo montante não foi tornado público.
As condições
Além da existência de um preço mínimo de importação, a Comissão Europeia definiu também um teto anual para o número de unidades que podem entrar na União Europeia (UE). Esse volume, por sua vez, só poderá ser importado através de um único importador - neste caso, a SEAT S.A.
Para facilitar a fiscalização, cada unidade do Tavascan terá de ser acompanhada por um Código QR e por uma “fatura especial”, instrumentos concebidos para permitir às autoridades aduaneiras confirmar o cumprimento do compromisso relativo ao preço mínimo acordado.
Um ponto central deste entendimento é que a Comissão Europeia apenas aceitou este regime depois de o Grupo Volkswagen se comprometer a reforçar o investimento na indústria de veículos elétricos dentro da UE, o que inclui manter projetos já em curso e lançar novas iniciativas.
E em caso de incumprimento?
A Decisão de Execução (UE) 2026/328, publicada a 9 de fevereiro, estabelece regras inequívocas: se a Volkswagen ou a SEAT S.A. não respeitarem as condições (por exemplo, comercializarem o automóvel abaixo do mínimo definido ou excederem a quota), o acordo é anulado e a tarifa de 20,7% passa a ser cobrada retroativamente sobre todos os veículos que já tenham sido importados.
Para a CUPRA, o peso destas tarifas tem sido relevante. Nos primeiros nove meses de 2025, a SEAT/CUPRA registou uma queda de 96% no lucro operacional, para apenas 16 milhões de euros, sendo as tarifas aplicadas ao Tavascan apontadas como uma das principais razões.
Novo enquadramento pode beneficiar outros fabricantes
A decisão relativa ao CUPRA Tavascan é a primeira tomada ao abrigo do novo modelo europeu assente em preços mínimos. Ainda assim, abre caminho para que outros fabricantes possam submeter pedidos de isenção individuais por modelo, desde que cumpram as condições comerciais e os compromissos de investimento previamente estabelecidos pela Comissão.
Em 2025, o CUPRA Tavascan vendeu 36 mil unidades, o que correspondeu a cerca de 11% das entregas totais da marca espanhola.
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