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UNESCO distingue a gare Villejuif-Gustave Roussy com o Prix Versailles 2025

Interior luminoso e moderno de edifício com escadas rolantes, plantas decorativas e pessoas em movimento.

Entre sete infra-estruturas ferroviárias consideradas as mais notáveis do planeta, foi uma estação da Île-de-France a ficar com a distinção máxima. Segundo a UNESCO, a gare Villejuif-Gustave Roussy, no Val-de-Marne, é a estação mais bonita do mundo, depois de conquistar o prestigiado Prix Versailles 2025 na categoria dedicada a estações ferroviárias e de transporte público.

A vitória não era, à partida, evidente. Na lista de finalistas surgiam pesos-pesados como a estação Gadigal, em Sydney, a estação KAFD, em Riade, a estação de Mons, na Bélgica (da autoria do arquitecto Santiago Calatrava), ou a monumental estação de Baiyun, em Cantão. Até a vizinha Saint-Denis-Pleyel também concorria. Ainda assim, todas acabaram por ceder perante esta jóia subterrânea, inaugurada a 18 de Janeiro, no prolongamento da linha 14.

Dominique Perrault e o conceito da gare Villejuif-Gustave Roussy

A gare Villejuif-Gustave Roussy começa por ter um nome associado: Dominique Perrault. O arquitecto francês, já conhecido por ter desenhado a Biblioteca Nacional de França, avançou com uma solução particularmente arrojada: um enorme cilindro com 70 metros de diâmetro, escavado a quase 50 metros de profundidade, coroado por uma clarabóia monumental que capta a luz do dia e a conduz até às plataformas. Uma ideia capaz de inspirar o autor de Silo.

O desafio técnico é tal que faz de Villejuif-Gustave Roussy a estação mais profunda de França, ultrapassando a emblemática estação de Abbesses, com os seus 36 metros de profundidade.

O impacto visual é imediato. À medida que os passageiros descem para as plataformas, atravessam um espaço onde a separação entre a superfície e o subsolo praticamente desaparece. Dominique Perrault explorou materiais como inox liso, perfurado, em malha e polido a espelho, para facilitar a passagem da luz e dar um carácter contemporâneo ao conjunto. As superfícies multiplicam os reflexos e a claridade vai “saltando” de plano em plano.

Fazer de cada gare um lugar de vida

Esta consagração internacional distingue, em simultâneo, a ambição do projecto Grand Paris Express, pensado para transformar cada estação num verdadeiro espaço de vida - e não apenas num ponto de passagem. Jean-François Monteils, presidente do conselho de administração da Société des Grands Projets, manifestou a sua satisfação:

"Este prémio reconhece a nossa gestão do projecto e o compromisso do Estado ao lado dos sectores franceses de excelência, tanto na engenharia como na arquitectura, aqui representada por Dominique Perrault. Temos o mesmo objectivo nas 68 gares do Grand Paris Express: conciliar ambição arquitectónica, integração urbana e desempenho técnico."

Um papel decisivo para o território e novas ligações

Para lá da arquitectura, a gare tem uma função estratégica no território. Faz ligação directa ao Institut Gustave-Roussy, o principal centro europeu de investigação e cuidados contra o cancro. Para os milhares de doentes, profissionais de saúde e investigadores que ali se deslocam diariamente, a chegada do metro muda o quotidiano. A partir de agora, bastam vinte minutos para chegar a Châtelet-Les Halles, um nó central de distribuição para as restantes linhas.

Implantada no coração do novo eco-bairro Campus Grand Parc, a poucos passos do parque departamental des Hautes-Bruyères e dos seus 25 hectares de zona verde, a estação afirma-se também como um novo pólo de vida urbana. O desenho do espaço privilegia as mobilidades suaves: existem, por exemplo, seis acessos ao exterior e 320 lugares de estacionamento para bicicletas.

E o crescimento está longe de terminar. Com a entrada em funcionamento da linha 15 Sul prevista para o verão de 2026, Villejuif-Gustave Roussy passará a ser um nó maior da rede da Île-de-France. As projecções apontam para 100 000 passageiros por dia.

Orgulhoso com a distinção, o Ministério da Cultura já anunciou que a estação deverá receber em breve o selo "Arquitectura contemporânea notável".

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