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Autoridades turcas investigam morte de marinheiro indonésio em ataque com drones ao "Asomatos" no mar Negro

Homem de colete refletor regista com telemóvel saída de trigo de navio para cais no porto marítimo.

Investigação turca ao ataque ao "Asomatos" no mar Negro

As autoridades da Turquia abriram uma investigação à morte de um marinheiro indonésio, na sequência de um ataque com drones a um navio no mar Negro, quando este navegava nas imediações da costa russa, informou o Ministério Público de Istambul.

De acordo com um comunicado do Ministério Público, citado pela agência turca Anadolu, o ataque deu-se na noite de quinta-feira, quando o cargueiro "Asomatos", de bandeira do Panamá, seguia em águas territoriais da Rússia, ao largo da costa caucasiana do mar Negro, enquanto aguardava instruções para receber carga.

Segundo a mesma nota, três drones embateram no navio, provocando danos no convés, na chaminé e numa das gruas. Naquele momento, encontravam-se a bordo três cidadãos gregos, três egípcios e 14 indonésios, além de três agentes portuários russos.

Um tripulante indonésio acabou por morrer em resultado do ataque. Em seguida, o navio foi instruído a rumar para sul, entrando no dia seguinte, sexta-feira, em águas turcas e ficando, por fim, fundeado no sábado ao largo da costa de Istambul.

Recolha de provas e informações sobre o cargueiro

Ainda segundo o Ministério Público turco, as autoridades subiram hoje ao cargueiro para recolher elementos de prova relacionados com a ocorrência, levar o corpo do marinheiro para terra e proceder à realização de uma autópsia.

A justiça turca descreveu o "Asomatos" como um cargueiro com 170 metros de comprimento e 28 mil toneladas de porte bruto, que faz com frequência a ligação entre o porto russo de Novorossiysk e o porto egípcio de Alexandria. Indicou igualmente que transportava uma carga de 4.751 toneladas de trigo.

Queixas da Ucrânia sobre o trigo e contexto dos ataques

Em maio passado, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiga, criticou o facto de o "Asomatos" ter descarregado em Alexandria trigo carregado na Rússia, mas que, no seu entender, teria origem em território ucraniano.

Sybiga frisou ainda que, este ano, vários navios levaram para o Egito "cereais ucranianos roubados" pela Rússia.

Nesta fase do conflito, a Rússia e a Ucrânia têm conduzido ataques diários contra petroleiros e cargueiros de bandeira estrangeira, que carregam nos respetivos portos ou em portos da Ucrânia ocupados pela Rússia.

Ataque ao "Golden Leo" e posição da Índia

Também hoje, a Índia condenou a morte de quatro marinheiros indianos num ataque russo ao navio mercante "Golden Leo", de bandeira da Guiné-Bissau, que saía do porto ucraniano de Odessa, e no qual morreram ainda outros seis tripulantes de diferentes nacionalidades.

"Quatro cidadãos indianos perderam tragicamente a vida, enquanto um se encontra hospitalizado em estado crítico. A nossa missão na Ucrânia está a acompanhar de perto a situação e a envidar todos os esforços para prestar toda a assistência necessária às pessoas afetadas", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano num comunicado.

"Atacar o transporte marítimo comercial e colocar em perigo tripulantes civis inocentes, ou de outra forma obstruir a liberdade de navegação e o comércio, é deplorável e deve ser evitado", acrescentou o Governo.

Este ataque ocorreu poucos dias depois de a Índia - um dos principais fornecedores de tripulantes para a marinha mercante a nível mundial - ter lançado um sistema de vigilância com o objetivo de tentar evitar a morte dos seus marinheiros na guerra entre Estados Unidos e Irão.

Desde o início da guerra, em fevereiro, pelo menos 13 cidadãos indianos morreram e três continuam desaparecidos em ataques contra navios comerciais na região do Golfo, um total que coloca a Índia como a nacionalidade com mais baixas de marinheiros civis durante o conflito.

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