ARAMUSS-2025 reforça a aposta da Marinha do Brasil em sistemas não tripulados
Com o objectivo de aprofundar a integração de sistemas autónomos nas suas operações navais, a Marinha do Brasil concluiu com êxito a primeira edição da exposição “ARAMUSS-2025”, realizada na Base Naval de Aratu, em Salvador, Brasil. Reunindo mais de 2.000 participantes e contando com representantes da indústria, do meio académico e do sector da defesa, o encontro afirmou-se como um marco na introdução de veículos não tripulados no domínio marítimo militar brasileiro.
Semana de actividades e ensaios na Baía de Todos os Santos
Ao longo de uma semana de intensa programação, a “ARAMUSS-2025” (sigla de Simulação de Sistemas Marítimos Não Tripulados de Aratu) promoveu palestras técnicas, mostras estáticas e demonstrações práticas na Baía de Todos os Santos. Os ensaios incluíram operações conjuntas com sistemas tripulados e não tripulados - de superfície, submarinos e aéreos - sob coordenação da MB.
Participaram ainda meios navais como a corveta Caboclo (V-19) e o navio-patrulha Gravataí (P-51), que embarcaram militares e observadores para acompanhar exercícios de guerra de minas e de vigilância marítima avançada.
Demonstrações como ponto alto do evento
Segundo o vice-almirante Gustavo Calero Garriga Pires, comandante do 2.º Distrito Naval, as demonstrações foram o momento mais relevante da iniciativa. Nas suas palavras: “Aqui vemos a combinação de sistemas tripulados e não tripulados, o que há de mais avançado em tecnologia para operações marítimas a nível mundial”.
Entre os veículos utilizados estiveram o Mero (USSV), o Suppressor (Tidewise/EMGEPRON), o LAUV Triton (Ocean Scan/IPqM), o VSNT (CASNav), o FlatFish (SENAI Cimatec) e o NAURU (XMobots), operando de forma autónoma ou através de centros de comando.
O comandante Rodrigo Bouças, coordenador do evento e responsável pela Força de Guerra de Minas e Varredura, destacou que a experiência recolhida deverá permitir expandir parcerias tecnológicas e consolidar uma doutrina nacional para veículos marítimos não tripulados. “O projecto pioneiro ‘ARAMUSS-2025’ cumpriu o seu propósito. A partir daqui, procuramos que se transforme num programa permanente que evolua com novas capacidades”, afirmou.
Sistemas em destaque: LAUV Triton, Suppressor-7 e Nauru 500C
LAUV Triton e a guerra de minas
Entre os sistemas que mais despertaram interesse esteve o veículo submarino autónomo LAUV Triton, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) para missões de contraminagem. Este AUV evidenciou capacidade para detectar, classificar e identificar objectos submersos de forma autónoma, percorrendo rotas previamente programadas com elevada precisão. “O Triton simboliza a evolução da guerra de minas e o compromisso da Marinha com a inovação tecnológica. A Marinha do futuro começa aqui”, declarou o primeiro-tenente Emerson Mendonça, chefe do Grupo de Sistemas de Armamento do IPqM.
Suppressor-7: identificação rápida de alvos
Outro protagonista foi o Suppressor-7, desenvolvido pela Tidewise e pela EMGEPRON. Este ROV, com capacidade de lançamento e recuperação automáticos a partir de navios, efectuou a identificação visual positiva de alvos previamente detectados. Na demonstração, o sistema localizou uma mina simulada em apenas 45 minutos, confirmando a sua eficiência operacional.
Além disso, a Marinha e a EMGEPRON assinaram uma carta de intenções tendo em vista a futura aquisição de quatro unidades do modelo, que também pode ser utilizado em estudos hidrográficos e em missões de mapeamento submarino.
Nauru 500C: UAV nacional com ISR e VTOL
Por fim, entre os sistemas aéreos apresentados, destacou-se o drone Nauru 500C, da empresa brasileira XMobots. Este UAV, 100% nacional, é o único do seu tipo autorizado a operar de noite e acima de 122 metros (400 pés) de altitude. Equipado com tecnologia VTOL e autonomia de até quatro horas, o Nauru 500C disponibiliza capacidades avançadas de ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento), adequadas para operações fronteiriças, portuárias e de busca e salvamento.
Com iniciativas deste tipo, a Marinha do Brasil consolida o seu avanço rumo a um futuro em que os sistemas não tripulados serão parte essencial do seu poder naval.
Créditos das imagens: Marinha do Brasil.
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