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CHENS 26 em Madrid e o papel do domínio marítimo
A Armada Espanhola realizou em Madrid, nos dias 6 e 7 de maio, uma nova edição do Chiefs of European Navies Meeting (CHENS 26), a reunião anual que junta os chefes das marinhas europeias.
O encontro congregou 35 máximos responsáveis navais, bem como representantes de parceiros ibero-americanos e de organizações internacionais, num fórum dedicado à evolução do domínio marítimo enquanto espaço-chave para a defesa, o comércio, a energia e a estabilidade global. Como sublinhou Margarita Robles, ministra da Defesa, o espaço marítimo passou a ser “um ambiente estratégico onde convergem a estabilidade económica, a energia, a segurança, a conectividade digital e a competição geopolítica”.
Dependência marítima, comércio global e infra-estruturas críticas submarinas
A edição de Madrid decorreu num quadro marcado pelo aumento da competição estratégica no mar, pela exposição das rotas comerciais e pelo peso crescente das infra-estruturas críticas submarinas. Trata-se de um domínio determinante para a estabilidade e o desenvolvimento à escala global. De acordo com a Armada, mais de 80% do comércio mundial depende do transporte marítimo, e entre 95% e 99% dos dados da internet circulam através de cabos submarinos de fibra óptica.
Neste contexto, a cooperação em segurança marítima assume relevância directa para a segurança nacional de Espanha, dada a forte dependência do comércio externo por via marítima. A condição peninsular do país, somada às ligações terrestres limitadas com a Europa através dos Pirenéus, ajuda a explicar por que razão cerca de 90% do comércio externo espanhol e 99% do petróleo consumido no país chegam pelo mar. Esta vulnerabilidade estrutural está reflectida no documento estratégico Armada 2050, que identifica a defesa dos interesses nacionais “no mar e a partir do mar” como a razão de ser da Armada. Nessa lógica, o CHENS 26 reforça, para Espanha, a prioridade estratégica de dispor de uma Armada interoperável com parceiros e aliados, com vista a proteger rotas comerciais, fornecimentos energéticos e infra-estruturas críticas.
Regiões em análise e coordenação do poder naval
O Chefe do Estado-Maior da Armada (JEMA), almirante-general Antonio Piñeiro Sánchez, salientou que a reunião acontece num momento de “especial significado estratégico”, em que os desafios à estabilidade internacional obrigam a respostas articuladas. De acordo com essa abordagem, o CHENS 26 deverá permitir a análise de teatros particularmente relevantes para as potências europeias - como o Báltico, o Mediterrâneo, o mar Negro, o mar Vermelho e o Indo-Pacífico - e, em paralelo, impulsionar a coordenação do poder naval num ambiente cada vez mais multidomínio.
O Báltico surge como um dos exemplos mais evidentes desta nova vulnerabilidade marítima. Após episódios de sabotagem contra cabos submarinos, a NATO lançou, em janeiro de 2025, a actividade Baltic Sentry, destinada a reforçar a protecção de infra-estruturas críticas submarinas com recurso a fragatas, aeronaves de patrulha marítima e drones navais. Ao mesmo tempo, a tensão persistente no estreito de Ormuz e em Bab el-Mandeb volta a evidenciar por que motivo a segurança marítima ocupa um lugar central na agenda das marinhas europeias reunidas no CHENS 26. A liberdade de navegação nestes corredores influencia directamente a segurança energética, o comércio e a competitividade económica da União Europeia.
Missões em curso e compromisso de Espanha com aliados
No segundo dia deste fórum de alto nível, Margarita Robles voltou a afirmar o compromisso sólido de Espanha com os seus aliados internacionais, referindo missões como a Operação Atalanta e as Presenças Marítimas Coordenadas no Golfo da Guiné (UE), bem como a Sea Guardian e os Grupos Navais Permanentes (NATO). “Como nação marítima, Espanha está profundamente comprometida com a preservação da segurança no mar; os nossos navios, submarinos, aeronaves e fuzileiros navais destacam-se com regularidade em zonas essenciais para o comércio internacional e o fluxo de energia”, reafirmou Robles.
A edição organizada por Espanha sucede ao CHENS 2025, realizado em Riga a 7 e 8 de maio de 2025, sob organização da Marinha da Letónia. Nessa ocasião, o eixo temático centrou-se no papel emergente dos sistemas não tripulados no ambiente marítimo, reflectindo a rápida transformação tecnológica das operações navais.
Fotografias: Armada Espanhola.
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