Uma nova burla está a ganhar terreno no país.
As burlas ligadas a entregas já nos são bem conhecidas. Neste tipo de fraude, em larga escala, criminosos recorrem a métodos mais ou menos credíveis para lhe roubarem dados pessoais e bancários, criando um forte sentimento de urgência.
Nas últimas semanas, porém, a sofisticação destas tentativas atingiu um novo patamar. Os burlões estão a explorar informações obtidas em fugas de dados que afectaram transportadoras como a Colis Privé, a Chronopost ou a Mondial Relay, para tornar a abordagem mais personalizada - incluindo o seu nome, a sua morada e até o número verdadeiro da encomenda em causa.
E não fica por aqui: passaram também a incorporar imagens geradas por inteligência artificial generativa para aumentar a credibilidade da mensagem. Têm surgido inúmeros testemunhos que ilustram a dimensão desta campanha de phishing em curso. Nessas imagens, um falso estafeta aparece a mostrar o pacote e vê-se ainda a carrinha carregada. Há quem identifique a fraude de imediato, mas, se estiver à espera de uma entrega importante, pode acabar por cair no esquema.
Uma burla em dois tempos
O efeito é ainda mais perturbador porque os atacantes chegam a colocar o nome completo do alvo na imagem falsa da encomenda. Como é habitual nestas mensagens, alegam que a entrega não coube na caixa do correio e pedem que indique novas instruções de entrega, clicando num link fraudulento.
Se seguir o pedido, será encaminhado para um site falso que imita o da transportadora. Para reagendar a entrega, o site solicita um pagamento - e, a partir daí, a armadilha fecha-se. A conta pode não ser debitada, mas o hacker fica na posse desses dados sensíveis e passa a poder utilizá-los.
A chamada do “banco”
Tal como explica a 01Net, entra então a segunda fase do esquema. Pouco depois, a vítima é contactada por um falso conselheiro bancário, que diz ter detectado operações suspeitas no cartão. A partir desse contacto, a tentativa passa a ser a de retirar dinheiro directamente da sua conta.
Como se proteger de SMS e chamadas insistentes
Percebe-se, por isso, a necessidade de reforçar a atenção perante estas tácticas particularmente traiçoeiras. Nunca deve clicar em links recebidos por SMS e, ainda menos, fornecer dados sensíveis por telefone - mesmo que a pessoa do outro lado seja insistente.
Um fenómeno global impulsionado pela IA
Importa notar que esta situação não diz respeito apenas a França. Numa nota informativa publicada recentemente, investigadores da Universidade de Columbia indicam que a IA está rapidamente a tornar-se o método preferido nas burlas financeiras.
Os investigadores estimam em 12,3 mil milhões de dólares as perdas associadas a estas fraudes em 2023, nos Estados Unidos. Esse valor poderá chegar aos 40 mil milhões de dólares em 2025, o que reflecte um problema urgente à escala mundial. Mais informações sobre o tema e algumas soluções para o travar no nosso artigo anterior, aqui.
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