No dia 28 de fevereiro, de acordo com informação divulgada pelo Ministério da Defesa da Bélgica, as Forças Armadas da França e da Bélgica capturaram, numa acção conjunta no Mar do Norte, um navio alegadamente ligado à chamada “Frota na Sombra” da Rússia. A intercepção do petroleiro ocorreu na Zona Económica Exclusiva (ZEE) belga e inseriu-se num dispositivo destinado a reforçar a aplicação das sanções internacionais em vigor contra Moscovo.
Intercepção do MT Ethera na ZEE belga
A embarcação identificada como MT Ethera foi interceptada no sábado, quando navegava sob uma falsa bandeira da Guiné. Segundo a nota oficial, o navio não tinha direito a passagem livre na ZEE belga, uma vez que o direito internacional impede que uma embarcação opere sem bandeira ou sob pavilhão fraudulento; por esse motivo, o governo belga autorizou o seu embarque e a verificação.
O ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, afirmou que “o barco navegava sob uma bandeira falsa e está na lista de sanções da União Europeia. Estes são indícios graves de engano deliberado e possível evasão de sanções. Quando surgem tais indícios na nossa zona económica exclusiva, actuamos”. As autoridades acrescentaram que a operação foi acompanhada em tempo real por Francken, em conjunto com a ministra da Justiça, Annelies Verlinden.
Operação Blue Intruder: meios e condução da abordagem
A operação, baptizada “Blue Intruder”, teve início no Centro de Informação Marítima localizado na Base Naval de Zeebrugge. Este organismo interinstitucional é responsável por vigiar navios suspeitos e por analisar dados relativos a padrões de navegação, bandeira, portos de escala e relatórios internacionais.
Com a autorização governamental concedida, equipas de abordagem aproximaram-se do petroleiro com apoio de helicópteros NH-90, navios-patrulha e embarcações rápidas insufláveis, até o navio-patrulha BNS Pollux (P902) concretizar a intercepção.
Em seguida, forças de operações especiais embarcaram no MT Ethera e garantiram o controlo da ponte de comando, da casa das máquinas e de outras zonas críticas, antes de autorizarem a entrada do Serviço Público Federal de Mobilidade para efectuar a inspecção correspondente. O navio foi escoltado até ao porto de Zeebrugge para prosseguimento da investigação, enquanto o Ministério Público belga deu início ao interrogatório do capitão, de nacionalidade russa, e abriu um processo criminal.
Apoio aéreo e reacções de França
Durante o dispositivo, a Marinha francesa disponibilizou dois helicópteros NH-90 para apoio aéreo, ao passo que a Força Aérea belga também empregou duas aeronaves do mesmo modelo.
Na rede social X, o presidente de França, Emmanuel Macron, escreveu: “um duro golpe à frota na sombra: no Mar do Norte, os nossos helicópteros da Marinha francesa ajudaram ontem à noite na abordagem por parte das forças belgas de um petroleiro sob sanções internacionais. Os europeus estão determinados a cortar as fontes de financiamento da guerra de agressão da Rússia na Ucrânia através da aplicação de sanções”.
Contexto europeu: medidas contra a “Frota na Sombra” russa
Este caso enquadra-se num quadro mais amplo de iniciativas adoptadas por países europeus perante actividades atribuídas à “frota na sombra” russa, apontada como um meio para contornar restrições comerciais e financeiras.
Em janeiro, a França apreendeu no Mediterrâneo o petroleiro MT Grinch e desviou-o para o porto de Marselha. Mais tarde, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, comunicou que a embarcação foi libertada após o pagamento de vários milhões de euros em multas, sublinhando que “contornar as sanções europeias tem um custo”.
Em paralelo, outros Estados intensificaram a vigilância marítima na região. No início de fevereiro de 2026, a Marinha Italiana (Marina Militare) anunciou o alargamento da operação “Mare Sicuro” no âmbito da Estratégia de Segurança e Defesa para o Mediterrâneo, estendendo a sua cobertura de 160.000 para mais de 2.000.000 de quilómetros quadrados e dedicando especial atenção às actividades da “frota na sombra” russa. Em comunicado oficial, a instituição indicou que a medida permitirá assegurar “uma presença aeronaval estruturada, incluindo veículos submarinos, em todos os sectores mais cruciais da região”, em cooperação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a União Europeia (UE) e as Nações Unidas (ONU).
Imagem de capa obtida junto do Ministério da Defesa da Bélgica.
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