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Donald Trump ameaça elevar para 25% as tarifas sobre carros e camiões da União Europeia

Carro desportivo azul elétrico exibido em salão automóvel com bandeira dos EUA ao fundo.

Após alguns meses de aparente calma, Donald Trump voltou a «mexer no tabuleiro». Na sexta-feira passada, o presidente dos Estados Unidos anunciou, na sua rede social Truth Social, a intenção de elevar para 25% as tarifas aplicadas a todos os carros e camiões importados da União Europeia (UE) - atualmente sujeitos a uma taxa de 15%.

Na mensagem publicada, Trump justifica a ameaça com o facto de o bloco europeu “não estar a cumprir com o acordo comercial estabelecido”, embora não tenha indicado em que pontos concretos.

O que tinha sido acordado

Em agosto do ano passado, EUA e UE chegaram a um entendimento comercial provisório que fixou em 15% as tarifas sobre a maior parte dos bens europeus importados pelos norte-americanos, incluíndo os automóveis.

Em contrapartida, Bruxelas teria de apresentar formalmente uma proposta legislativa destinada a eliminar as tarifas sobre produtos industriais dos EUA e a garantir acesso preferencial ao mercado europeu para uma vasta gama de frutos do mar e produtos agrícolas norte-americanos.

Além disso, a UE assumiu o compromisso de comprar 750 mil milhões de dólares (641,1 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) em produtos energéticos dos EUA, investir 600 mil milhões de dólares (512,9 mil milhões de euros) e abrir os mercados europeus, isentos de tarifas, ao comércio.

Antes deste acordo comercial, Donald Trump tinha avançado com tarifas adicionais de 25% sobre automóveis e de 10% sobre todas as importações provenientes da União Europeia (UE), somando-as às taxas habituais. Até então, a taxa de base era de 2,5%.

Um acordo atribulado

A aplicação do acordo tem estado longe de ser pacífica. A primeira suspensão aconteceu em janeiro, depois de Trump ter ameaçado anexar a Gronelândia; mais tarde, voltou a ser interrompido devido a divergências em torno do aço e do alumínio, cujas tarifas de importação podem ir até 50%.

Em março, o Parlamento Europeu acabou por aprovar o acordo, incluindo uma cláusula que permite voltar a suspendê-lo caso se entenda que o Governo norte-americano tenha “prejudicado os objetivos do acordo, discriminado os operadores económicos da UE, ameaçado a integridade territorial dos Estados-Membros, as suas políticas externa e de defesa, ou praticado coerção económica”.

A reação europeia

Perante estas declarações, a Comissão Europeia (CE) assegurou que a UE tem cumprido o que ficou estabelecido e que está a executar o acordo “em conformidade com as práticas legislativas padrão, mantendo a administração dos EUA plenamente informada”.

“Continuamos totalmente comprometidos com uma relação transatlântica previsível e mutuamente benéfica. Caso os EUA tomem medidas incompatíveis com a Declaração Conjunta, manteremos as nossas opções em aberto para proteger os interesses da UE”, disse um porta-voz.

Simon Evenett, especialista em comércio da IMD Business School, disse à BBC: “Atenção, as publicações nas redes sociais não são lei, por isso Bruxelas vai querer ver as letras miúdas antes de decidir retaliar”.

Indústria em sobressalto

Na Alemanha, a associação VDA já respondeu às ameaças, defendendo uma “redução da tensão”. Hildegard Müller, presidente da entidade, advertiu que os custos das tarifas “seriam enormes para a indústria automóvel alemã e europeia num momento já bastante desafiante”.

Segundo uma análise da empresa Bernstein, calcula-se que a subida das tarifas possa representar um custo de 3,5 mil milhões de euros ainda este ano, aumentando para 5,7 mil milhões de euros no próximo ano.

A mesma análise aponta para uma queda de 12% no lucro antes de juros e impostos (EBIT) do Grupo BMW em 2026, para 757 milhões de euros. Já a Stellantis e a Porsche deverão registar as maiores descidas no EBIT: 21% para 578 milhões de euros. O Grupo Volkswagen deverá ser o que menos sofre, com uma redução de 9% para 1,289 mil milhões de euros.

Trump sublinhou ainda que, “está plenamente entendido e acordado que, se forem produzidos automóveis e camiões em fábricas nos EUA, não haverá qualquer tarifa”, lê-se na publicação.


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