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Portagens na A41/CREP para pesados ficam gratuitas nas horas de ponta a partir de 1 de março de 2026

Camiões brancos a passar numa portagem com semáforos verdes num dia claro.

Promessa feita, promessa cumprida. No arranque deste ano, tinha sido comunicada a vontade de cortar de forma “drástica” as portagens na A41 (CREP - Circular Regional Exterior do Porto) para veículos pesados de mercadorias, deixando-as “tendencialmente gratuitas”.

Portagens na A41 (CREP) para pesados: o que muda em 2026

De acordo com uma publicação na conta oficial de Instagram do Gabinete do Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, essa intenção vai mesmo sair do papel: a partir de 1 de março de 2026, os transportes pesados deixam de pagar portagens na CREP nos períodos de maior pressão, entre as 7h00 e as 10h00 e entre as 16h00 e as 19h00.

Objetivo na VCI e impacto na receita

A finalidade apresentada é direta: “aliviar o trânsito na VCI (Via de Cintura Interna) e melhorar a circulação na Área Metropolitana do Porto”. Segundo as estimativas de Pinto Luz, a medida traduz-se numa quebra anual de receitas na ordem dos 10 milhões de euros para a concessionária, montante que será suportado pelo Estado.

O ministro enquadrou a decisão como um passo inicial e sujeito a verificação: “É o início de um processo para podermos acudir e tentar mitigar este problema. Nós acreditamos, mas se verificarmos que não tem resultados, não fará sentido perpetuar”, afirmou. Acrescentou ainda que serão precisos “um, dois, três anos para avaliar o impacto real” desta alteração na CREP e os reflexos na VCI.

Novas soluções em estudo na AMP

Até ao final do ano, deverão surgir propostas adicionais para dar força a esta estratégia. A Área Metropolitana do Porto tenciona levar ao Governo duas possibilidades que estão a ser analisadas: portajar os pesados que atravessam a Área Metropolitana do Porto (AMP) ou impedir a sua circulação nos períodos críticos da manhã e da tarde. Pinto Luz referiu também mais investimento no metro do Porto e nos transportes públicos.

Nem todos concordam

A decisão está longe de reunir consenso. Manuel Pizarro, vereador da Câmara do Porto, apontou críticas aos horários definidos: “O que o ministro veio anunciar foi a redução parcial das portagens para pesados na CREP em horários que não sei quem validou. Horários que, aliás, revelam total desconhecimento sobre o que se passa na VCI, porque acreditar que a VCI não tem problemas de excesso de tráfego depois das 19 horas é só mesmo para quem vê a VCI a partir de Cascais”, citou o Jornal de Notícias.

Já Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto, reagiu com um otimismo prudente: “É um excelente princípio de solução. Não se resolve com uma medida avulsa. Este é um primeiro passo que terá um efeito positivo. Mas é bom que as expectativas sejam claras, pois não vai resolver todos os problemas de trânsito naquela via. Irá ajudar. É o início de um caminho para mudar as coisas. O trânsito na VCI tem tornado a vida dos portuenses e da população da AMP num inferno no seu quotidiano.”

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