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Turismo do sono: a tendência que está a transformar as viagens

Mulher sentada na cama de um quarto com vista para campo dourado sob luz natural.

Chama-se turismo do sono e está a alterar a forma como se fazem férias: a proposta é tão direta quanto o nome sugere - descansar a sério.

Durante anos, viajar foi quase sempre sinónimo de explorar ao máximo: roteiros apertados, dias cheios e a vontade de ver e fazer tudo. Só que esta tendência vai no sentido contrário. Em 2022, vários meios internacionais começaram a assinalar o turismo do sono como uma novidade; um ano mais tarde, já surgia apontado como uma das grandes tendências de viagens. Aqui, a lógica é simples: as férias servem para ajudar a dormir melhor e para recuperar verdadeiramente, em vez de acordar cedo para “caçar” monumentos ou garantir mesa naquele restaurante viral no TikTok. O centro da experiência passa a ser a qualidade das noites.

Porque é que o turismo do sono ganhou força

O interesse crescente faz sentido num contexto em que muita gente se sente permanentemente exausta, com níveis de stresse muito elevados e estímulos digitais em excesso. Ao mesmo tempo, aumentam as preocupações com a qualidade do descanso.

Segundo estatísticas divulgadas este ano pela Associação Portuguesa do Sono, mais de metade dos portugueses dorme menos do que devia. E é precisamente por isso que, hoje, nem sempre se viaja apenas por diversão: viaja-se também para recuperar do ritmo acelerado do dia a dia.

Hotéis e programas pensados para dormir melhor

Os hotéis perceberam rapidamente essa procura e começaram a responder - e, em alguns casos, até já nasceram com este objetivo. Multiplicam-se programas orientados para melhorar hábitos de sono, com propostas muito variadas: desde camas específicas a consultas de sono, passando por planos que juntam massagens e aulas de ioga para promover relaxamento.

Turismo do sono em Portugal: Douro e Alentejo

Em Portugal, a oferta também já é relevante. Um exemplo é o Six Senses Douro Valley, hotel de 5 estrelas inserido numa floresta junto ao rio, que disponibiliza programas de três, cinco e sete dias centrados no sono. Estes incluem consultas de sono e avaliações de bem-estar, tratamentos de spa ajustados a cada pessoa, atividades relaxantes (de ioga nidra a meditação) e até aconselhamento nutricional. A intenção é clara: criar condições para dormir bem, num cenário que, por si só, já convida à tranquilidade.

A Natureza é igualmente a “morada” do Sleep & Nature Hotel, no Alentejo. Fundado por Teresa Paiva, uma das maiores especialistas em sono em Portugal, tem cerca de três anos e terá sido o primeiro hotel no país totalmente dedicado a este conceito.

O que diferencia o Sleep & Nature Hotel

Segundo Inês Jesus, chefe de receção, "o intuito é descansar, relaxar e dormir melhor". E explica como isso se traduz no dia a dia: "Os quartos têm todos blackout nas janelas com íman para não entrar luz, temos menus de almofadas, com vários tipos de almofadas. Todos os quartos têm luz amarela em vez de luz branca". Além disso, existe a possibilidade de um ritual do sono e de massagens de relaxamento.

O edifício foi pintado integralmente de azul, "porque é um tom que acalma", e, como sublinha a mesma responsável, "estar no campo ajuda sempre a descansar melhor".

Na cidade também: Kodawari Residences, no Porto

Ainda assim, o turismo do sono não se limita a contextos rurais. O Kodawari Residences, inaugurado em dezembro, é um exemplo urbano: fica na Rua das Flores, uma das zonas mais movimentadas do Porto. "O hotel já foi criado com o objetivo de providenciar a melhor noite de sono possível, estando localizado numa zona vibrante da cidade", afirma o CEO, Gonçalo Fernandes.

Tudo pensado ao detalhe para uma noite mais descansada

No interior, o conceito é aplicado ao pormenor. "Começamos por ter as melhores camas do Mundo, da Hästens, que custam cerca de 25 mil euros, todas feitas artesanalmente. Sem nada químico e com um colchão que permite manter a temperatura do corpo." A isto juntam-se cobertores da Blanky, com sete quilos, que, nas palavras do responsável, "que nos levam para um sono mais profundo".

Há ainda menu de almofadas, com três espessuras. Os quartos apresentam tons de azul-escuro; não se disponibiliza café; a iluminação é controlada; e a televisão fica escondida num quadro, "porque ver televisão antes de dormir não é uma boa prática". Para reduzir tentações, existe também um cofre para carregar o telemóvel longe da mesa de cabeceira, "para não cairmos na tentação de adormecer a ver o Instagram".

Mesmo com esta abordagem, Gonçalo Fernandes garante que a intenção não é transformar o espaço num retiro dentro da cidade. O objetivo passa por encontrar o equilíbrio certo entre explorar o Porto e, ao mesmo tempo, assegurar uma noite realmente reparadora - afinal, descansar bem é o grande motor desta tendência.

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