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Espanha consolida-se como o 10.º exportador mundial de armamento segundo o SIPRI (2021-2025)

Mulher em escritório a analisar mapa com rotas marcadas, mesa com modelo de navio e bandeira de Espanha ao fundo.

Perante o aumento das tensões geopolíticas dos últimos anos, Espanha afirma-se no período 2021-2025 como o 10.º exportador mundial de armamento, de acordo com os dados do reputado think tank sueco SIPRI - Stockholm International Peace Research.

Tensão geopolítica e venda de armamento

O mais recente relatório do SIPRI sobre transferências internacionais de armamento indica que o planeta entrou numa nova etapa de rearmamento. A intensificação da competição geopolítica e a militarização daí resultante fizeram com que, em 2025, o comércio global de armas atingisse o valor mais elevado desde 1990, com uma subida de 9% no período 2021-2025 face ao quinquénio anterior.

A classificação do SIPRI é apresentada em blocos de cinco anos para reflectir com maior rigor a evolução da compra e venda de material de defesa, já que, por vezes, uma única aquisição de grande dimensão poderia enviesar a real capacidade importadora ou exportadora de um país. Ainda assim, quando se observam os números anuais, Espanha surge em 2025 no 13.º lugar do ranking de países exportadores.

Espanha desce no ranking global de exportadores….

Entre 2021 e 2025, Espanha ocupou a 10.ª posição do ranking mundial, ao representar 2.3 % de todas as transferências de material de defesa registadas à escala global. Apesar de ser um lugar relevante para um país que, em população, PIB e dimensão relativa, não está entre as dez maiores potências, Espanha perdeu algumas posições nas duas últimas edições do relatório do SIPRI.

No período 2020-2024, Espanha tinha ficado em 9.º lugar entre os exportadores, com 2.9% do total mundial; no exercício anterior, que abrangia 2019-2023, encontrava-se na 8.ª posição.

Por regiões, 43 % das exportações espanholas de material de defesa entre 2021 e 2025 tiveram como destino o Médio Oriente, com a Arábia Saudita como principal receptor. Espanha foi o segundo maior fornecedor de defesa a Riade, com uma quota de 9.5 %, apenas atrás dos Estados Unidos. Já 22 % do total exportado seguiu para a Ásia e a Oceânia, com destaque para a Austrália: Espanha assegurou 6.5 % das importações de defesa australianas, também só superada pelos Estados Unidos. Por seu turno, a Europa concentrou 20 % das exportações espanholas.

…mas aumenta as vendas

Embora nos últimos dois anos tenha sido ultrapassada por Israel e, depois, pela Coreia do Sul, Espanha aumentou em 6.7% as vendas de material de defesa no período 2021-2025 face ao quinquénio anterior. Ainda assim, nesse período anterior a quota global atribuída a Espanha era 0.1% superior - 2.4% contra os actuais 2.3%.

O top 10 maiores exportadores de armamento:

  1. Estados Unidos (42%)
  2. França (9.8%)
  3. Rússia (6.8%)
  4. Alemanha (5.7%)
  5. China (5.6%)
  6. Itália (5.1%)
  7. Israel (4.4%)
  8. Reino Unido (3.4%)
  9. Coreia do Sul (3%)
  10. Espanha (2.3%)

Apesar de Espanha apresentar um posicionamento favorável na exportação mundial de defesa tendo em conta as suas características relativas (extensão territorial, população, PIB…), o relatório do SIPRI detalha alguns espaços de melhoria significativos para o ecossistema de defesa espanhol.

Espanha deverá continuar a aproveitar a actual onda de militarização internacional e evitar afastar-se, ano após ano, de potências europeias que crescem de forma consistente - como a Itália, que registou um aumento de 157% nas suas transacções. Além disso, considerando a soberania estratégica que o ecossistema público-privado espanhol de defesa procura alcançar, é relevante que 49% das aquisições importadas por Espanha neste sector provenham dos Estados Unidos, seguidos da Suécia (25%) e da França (9.1%).

Por fim, importa sublinhar o forte contraste entre o peso de Espanha enquanto vendedora e a sua capacidade como compradora: o país ocupa o 39.º lugar entre os Estados receptores de armamento.

Fotografia de capa: uma das corvetas construídas em Espanha para equipar a Real Marinha da Arábia Saudita.


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