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Acordo comercial UE-Índia de 27 de janeiro pode baixar tarifas sobre carros importados da União Europeia

Carro desportivo branco com design moderno estacionado num espaço interior minimalista e luminoso.

O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e a Índia, cuja formalização deverá ser anunciada amanhã, 27 de janeiro, pode ter um impacto imediato nas tarifas aplicadas a carros importados a partir da UE.

De acordo com fontes anónimas citadas pela Reuters, o governo indiano estará a considerar um corte imediato das taxas - que hoje podem atingir os 110% - para cerca de 40%. A confirmar-se, tratar-se-á da maior abertura de sempre do mercado automóvel indiano.

Apesar de a Índia ter o terceiro maior setor automóvel do mundo, apenas atrás da China e dos EUA, continua a ser um dos mercados mais protegidos. Neste momento, Nova Deli impõe tarifas entre 70% e 110% sobre veículos importados, um nível que tem sido alvo de críticas de várias figuras do setor, incluindo Elon Musk, diretor-executivo da Tesla.

A redução não é para todos

Acordo comercial UE-Índia: critérios de elegibilidade

Segundo as mesmas fontes, a proposta prevê que a descida imediata do imposto para 40% se aplique apenas a um conjunto limitado de carros produzidos na UE, desde que o preço de importação seja superior a 15 mil euros. Em paralelo, existe ainda a hipótese de, com o tempo, essa taxa vir a cair para 10%, o que abriria ainda mais o acesso ao mercado indiano a diversos construtores europeus.

Elétricos ficam de fora (por agora)

A redução para 40% deverá abranger cerca de 200 mil carros com motor de combustão por ano - num país que vendeu aproximadamente 4,5 milhões de veículos em 2025. Numa fase inicial, os veículos elétricos ficariam fora deste regime, uma opção desenhada para salvaguardar o investimento de fabricantes locais como a Mahindra & Mahindra e a Tata Motors. Ainda assim, está previsto que, ao fim de cinco anos, estes modelos também possam vir a beneficiar das mesmas condições.

O pacto poderá igualmente contemplar um reforço das exportações indianas de produtos como têxteis e joias, que desde agosto do ano passado passaram a enfrentar tarifas de importação de 50% impostas pelos EUA.

Até ao momento, as conversações têm decorrido à porta fechada e podem sofrer ajustes até ao último instante. Tanto o Ministério do Comércio da Índia como a Comissão Europeia optaram por não prestar comentários.

O que muda para as marcas europeias?

A descida das tarifas de importação poderá dar novo fôlego a grupos europeus como a Volkswagen, a Renault e a Stellantis, bem como a marcas como a Mercedes-Benz e a BMW. Embora já fabriquem veículos no país, estas empresas têm tido dificuldade em aumentar a sua presença na Índia, em grande medida por causa da carga fiscal aplicada às importações.

Com impostos mais baixos, as marcas ganham margem para experimentar o mercado com a introdução de mais modelos a preços mais competitivos antes de avançarem para um aumento da produção local. Hoje, os fabricantes europeus representam menos de 4% do mercado indiano.

A liderança pertence à Maruti Suzuki (com o construtor japonês como acionista maioritário), seguida das marcas indianas Mahindra e Tata, que em conjunto detêm dois terços do mercado. As projeções apontam para que, até 2030, as vendas anuais possam chegar a seis milhões carros, um crescimento que já está a atrair investimento e a reforçar o interesse das marcas estrangeiras no país.

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